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22 de novembro, 2005 - 21h06 GMT (19h06 Brasília)

Merkel assume cargo de chanceler da Alemanha

A líder do partido conservador alemão União Democrata Cristã, Angela Merkel, foi declarada a nova chanceler da Alemanha numa cerimônia no parlamento do país, em Berlim.

Merkel irá liderar um governo de coalizão com o partido Social Democrata, de Gerhard Schröder, que até agora estava à frente do país.

Ela passa a ser a primeira mulher no cargo de chanceler e a primeira chefe de governo do país unificado a ter sido criada na Alemanha Oriental.

O novo governo foi aprovado por 397 dos 614 Parlamentares alemães, mas 51 integrantes da nova coalizão votaram contra Angela Merkel.

Na opinião do correspondente da BBC em Berlim, os votos contrários são uma indicação dos problemas que ela enfrentará no futuro.

Durante uma cerimônia de posse nesta terça-feira, Merkel homenageou seu antecessor Gerhard Schröder, que se prepara para abandonar a política.

"Você pode ter certeza que vou cuidar com responsabilidade das coisas que fizeram de você um chanceler alemão do qual as pessoas vão lembrar com carinho", afirmou Merkel, depois de Schröder tê-la presenteado com um buquê de flores.

Reformas

A chanceler fará sua primeira viagem internacional nesta quarta-feira, quando visita Paris e Bruxelas, seguindo para Londres nesta quinta-feira.

Sua postura em relação à política externa é mais favorável aos Estados Unidos do que a de Schröder, que sempre se opôs à guerra no Iraque.

Merkel prometeu renovar a enfraquecida economia alemã e os partidos concordaram em reduzir o déficit do Orçamento com cortes nos gastos e aumento de impostos.

Clique aqui para ler a análise de Gianni Carta sobre a nova chanceler da Alemanha

Mas os planos de cortar impostos dos mais ricos foram abandonados, bem como os planos de liberalizar as leis de emprego e introduzir negociações salariais regionais.

A futura chanceler também foi forçada a fazer concessões aos sindicatos e aceitar membros do Partido Social Democrata em ministérios-chave.

Os sociais democratas ocupam as pastas de Relações Exteriores, Finanças e Trabalho, entre outras.

Os democratas cristãos ficam com seis ministérios, entre eles os da Defesa e dos Assuntos Econômicos, além da chefia de governo.

O partido de Merkel, a União Democrata Cristã, e seus aliados da Bavária, a União Social Cristã, não obtiveram maioria clara nas eleições de setembro.

A nova "grande coalizão" de esquerda e direita conta com amplo apoio no parlamento, reunindo 448 votos.

Schröder anunciou que vai renunciar à sua cadeira no Parlamento depois da votação, enquanto se prepara para uma vida fora da linha de frente da política.