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22 de novembro, 2005 - 05h00 GMT (03h00 Brasília)

Acordo que acabou com Guerra da Bósnia faz 10 anos

Líderes políticos da Bósnia-Herzegovina celebraram em Dayton, Ohio, nesta segunda-feira os dez anos do acordo de paz que marcou o fim da Guerra da Bósnia (1992-95).

Conhecido como Acordo de Dayton, porque foi assinado naquela cidade americana, o tratado de paz encerrou a guerra entre sérvios, croatas e muçulmanos que deixou 200 mil mortos, no pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra.

O acordo foi assinado em 21 de novembro de 1995, depois de três semanas de negociações entre os líderes da Bósnia, da Croácia e da Sérvia, com intermediação do governo americano, na época sob o presidente Bill Clinton.

"Dez anos depois, esta guerra terminou para sempre. É provavelmente o acordo de paz mais bem-sucedido do último quarto de século no mundo", afirmou Richard Holbrook, embaixador dos Estados Unidos na ONU na época e considerado o principal articulador do acordo.

O tratado estabeleceu a República Sérvia da Bósnia e a Federação da Bósnia-Herzegovina (ou Federação muçulmano-croata) – ambas governadas por uma entidade federal que tem um Parlamento comum e um triunvirato presidencial.

Holbrook, no entanto, disse uma das principais falhas no processo de paz é o fato de o comandante sérvio durante a guerra, Radovan Karadzic, ainda não ter sido capturado. Karadzic é procurado para responder a acusações de crimes de guerra.

Nesta segunda-feira, a União Européia concordou em iniciar conversas para preparar o país a ser um possível integrante do bloco, mas pediu uma ação definitiva para garantir com que Karadzic e o general Ratko Mladic sejam levados à Justiça.

O atual subsecretário de Estado Nicholas Burns elogiou o acordo de Dayton, mas disse que ele precisa ser "modernizado".

"Eles serviram bem a Bósnia nos últimos dez anos, mas eles não foram feitos para ser imutáveis ou gravados na pedra", disse Burns, segundo a agência de notícias Associated Press.

Durante as comemorações em Dayton, o governo americano tentou convencer representantes bósnios, sérvios e croatas de superar as divisões étnicas e substituir o sistema de três presidentes por um com um só presidente, possivelmente com um forte primeiro-ministro.