21 de novembro, 2005 - 17h07 GMT (15h07 Brasília)
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que seu país está comprometido em construir um oleoduto entre a Sibéria e a costa do Pacífico.
Em visita a Tóquio, Putin disse que o oleoduto levaria petróleo para a região da Ásia banhada pelo oceano Pacífico, incluindo o Japão.
Por anos, Tóquio e Pequim têm disputado a rota do oleoduto russo.
No ano passado, o governo russo endossou a rota apoiada pelo Japão, que direcionaria o oleoduto para a costa do Pacífico em sua segunda fase de construção.
Ao mesmo tempo, porém, os russos definiram que o oleoduto será estendido até a fronteira com a China em sua primeira etapa, prevista para terminar em 2008.
Isso gerou temores no Japão de que a Rússia poderia desistir da segunda fase do projeto, que encareceria significativamente os custos do empreendimento, abastecendo apenas a China.
Acordos
Putin está no Japão para estreitar os laços econômicos entre os dois países.
Uma série de acordos serão assinados entre Putin e o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, como um sobre contra-terrorismo e outro definindo o apoio do Japão à entrada da Rússia na OMC (Organização Mundial do Comércio).
Em retribuição, a Rússia tem se mostrado favorável à ambição do Japão em se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.
Disputa territorial
Entretanto, pouco progresso é esperado em relação à disputa territorial de 60 anos em torno de quatro pequenas ilhas na costa japonesa.
Chamadas de Kurilas pelos russos e Territórios do Norte pelos japoneses, as ilhas foram ocupadas pela União Soviética no final da Segunda Guerra Mundial.
A Rússia anunciou que pode devolver duas das ilhas, mas o Japão quer todas as quatro de volta.
Por causa do conflito territorial, os dois países até hoje não assinaram um tratado de paz para finalizar formalmente a guerra.
Embora tenha avisado que não discutiria a devolução das ilhas no encontro com Koizumi, Putin disse que o fortalecimento das relações econômicas melhoraria como um todo as relações entre as duas nações.
Enquanto Putin falava para empresários, um grupo de ativistas de direita protestaram contra a visita de Putin nas proximidades da embaixada russa em Tóquio e exigiram a devolução das ilhas.