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21 de novembro, 2005 - 21h41 GMT (19h41 Brasília)

Denúncia de Irã a Conselho de Segurança deve ser adiada

Os Estados Unidos e três países europeus devem adiar o início dos procedimentos para levar o Irã ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) por causa do programa nuclear do país, segundo diplomatas que acompanham as negociações.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reúne na quinta-feira.

Numa votação realizada neste domingo, o parlamento iraniano decidiu encerrar a cooperação com inspetores da AIEA e manter o processo de enriquecimento de urânio caso o país seja denunciado ao Conselho de Segurança.

Teerã insiste que o programa nuclear foi planejado para atender às necessidades energéticas do país.

Diplomatas que acompanham as negociações disseram que o Irã vai receber mais tempo para avaliar um compromisso para transferir a parte mais sensível da produção de combustível nuclear - o enriquecimento de urânio - para a Rússia.

Pelo plano, o Irã poderia dedicar-se à conversão de urânio, porém Teerã vem resistindo à proposta desde que ela foi lançada, há duas semanas.

O governo iraniano argumenta ter o direito legítimo de manter tecnologia nuclear pacífica.

Arma nuclear

Caso o Irã seja levado ao Conselho de Segurança da ONU, o país pode sofrer sanções econômicas.

"Não existe certeza de que vá haver uma resolução. Os russos e os chineses são contrários a isso", disse um diplomata à agência de notícias Reuters.

Negociações diretas com os Estados Unidos e a União Européia - o Reino Unido, a França e a Alemanha - foram suspensas em agosto quando o Irã reiniciou a conversão de urânio em gás em sua usina em Isfahan.

Em setembro, a AIEA pediu ao Irã que suspendesse todo o programa nuclear e ameaçou levar Teerã ao Conselho de Segurança.

Um relatório revelou na semana passada que o Irã tem informações sobre como construir uma parte fundamental de uma arma nuclear da rede do cientista nuclear paquistanês AQ Khan.

O Irã afirma não ter pedido nem utilizado essas informações.

A revelação aumentou as preocupações de alguns integrantes da AIEA em relação ao programa nuclear do Irã.

Na semana passada, o governo iraniano anunciou ter iniciado o processamento de uma nova série de urânio, que pode ser utilizado em armas numa versão altamente enriquecida.

Negociadores do país vêm dizendo que querem recomeçar o enriquecimento, mas até o momento evitaram atitudes unilaterais.