20 de novembro, 2005 - 22h33 GMT (20h33 Brasília)
Uma rádio israelense divulgou neste domingo, citando uma fonte do gabinete do primeiro-ministro Ariel Sharon, que o premiê deve anunciar nesta segunda-feira que está saindo do Partido Likud.
O primeiro-ministro também deve pedir a dissolução do Parlamento israelense e a realização de eleições antecipadas.
As informações ainda não foram confirmadas oficialmente.
De acordo com a agência de notícias Associated Press, Sharon estaria planejando criar um novo partido para disputar as próximas eleições.
O correspondente da BBC em Israel James Reynolds disse que já se vinha falando quanto à possibilidade de saída de Sharon do Likud.
O principal motivo disso, segundo ele, seria o fato de Sharon ter seguido em frente neste ano com seus planos de retirar colonos judeus que moravam na Faixa de Gaza, uma medida que não agradou a membros do seu próprio partido.
Trabalhistas
Neste domingo, o Partido Trabalhista israelense endossou os planos do seu novo líder, Amir Peretz, de retirar o apoio à coalizão de governo de Sharon.
Delegados reunidos em uma convenção do partido em Tel Aviv aprovaram a proposta com maioria absoluta depois de um discurso de Peretz, em que ele acusou Sharon de negligenciar os problemas sociais do país em nome do combate a grupos palestinos.
"Todos esses anos o Likud disse aos desempregados, às crianças com fome, a trabalhadores e a um milhão de assalariados que ganham o salário mínimo 'esperem um pouco, agora nós temos que cuidar do terrorismo'", afirmou Peretz, um ex-sindicalista nascido do Marrocos que foi recentemente eleito líder dos trabalhistas.
"Todos esses anos eles vêm nos assustando com o demônio da segurança."
Segundo o jornal israelense Haaretz, ao falar sobre segurança e o processo de paz, Peretz se posicionou contra duas reivindicações palestinas, a divisão de Jerusalém e o retorno dos refugiados palestinos.
Na semana passada, Sharon e Peretz fecharam um acordo para a realização de eleições entre o fim de fevereiro e o fim de março do ano que vem.
Segundo a rádio israelense, os membros trabalhistas do gabinete devem entregar as suas cartas de renúncia já nesta segunda-feira.