19 de novembro, 2005 - 02h57 GMT (00h57 Brasília)
As autoridades iraquianas informaram que 13 pessoas foram mortas na explosão de um carro-bomba no sudeste da capital Bagdá, neste sábado.
Cerca de 20 ficaram feridas no ataque contra um mercado lotado perto da ponte de Diyala. O carro com explosivos estava estacionado no local.
O atentado aconteceu um dia depois que mais de 80 pessoas foram mortas em ataques suicidas perto de um hotel em Bagdá e em duas mesquitas xiitas na cidade de Khanaqin, perto da fronteira com o Irã.
Em discurso em uma base militar americana na Coréia do Sul, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, rejeitou pedidos para que seja criado um cronograma para a retirada de soldados americanos do Iraque.
Segundo Bush, a medida seria uma “receita para o desastre”.
Ataques deixaram mais de 80 mortos na sexta-feira
No pior ataque, 74 pessoas morreram quando militantes suicidas se explodiram em duas mesquistas xiitas da cidade de Khanaqin, perto da fronteira com o Irã.
Khanaqin é uma cidade de população xiita e curda ao norte da capital Bagdá.
Horas antes desses ataques, uma ofensiva com dois carros-bomba em frente a um edifício do Ministério do Interior em Bagdá matou pelo menos seis pessoas e feriu outras 40.
Outras 40 pessoas ficaram feridas na dupla ação suicida, no centro do bairro de Jadirya. A força da explosão derrubou alguns prédios residenciais das proximidades.
Autoridades e testemunhas disseram que um hotel utilizado por estrangeiros nas proximidades do local pode ter sido o principal alvo do atentado.
Série de ataques
Os ataques suicidas em Khanaqin, no nordeste do Iraque, são os últimos em uma série de ataques contra mesquitas xiitas no país.
O correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, afirma que os ataques têm como objetivo provocar esta facção muçulmana, já que todos os feridos e mortos são xiitas que estavam fazendo suas preces de sexta-feira.
"Dois suicidas usando cintos com explosivos entraram nas mesquitas Grande e Pequena de Khanaqin e explodiram seus dispositivos", disse Ibrahim Hasan al-Bajalan, líder do conselho da província de Diyala, à agência de notícias AFP.
Segundo o correspondente da BBC, as explosões fortes em locais fechados, lotados de fiéis, causaram muitos danos e um número muito alto de feridos.
Hospitais em toda a região tiveram que ser mobilizados pois os hospitais da cidade não conseguiram atender a todos os feridos.
Bajalan afirmou que as duas mesquitas foram completamente destruídas pelos ataques.
Forças de segurança foram mobilizadas para a área logo depois dos ataques e um toque de recolher foi imposto, segundo informações da agência de notícias AFP.
Escândalo de tortura
A sede do Ministério do Interior atacada em Bagdá está no centro de um escândalo de tortura que vem abalando a imagem do governo iraquiano.
A maioria das vítimas desses abusos seria de muçulmanos sunitas – comunidade de onde vem a maior parte dos insurgentes no país.
No ataque desta sexta-feira, os dois carros-bombas foram conduzidos contra o prédio oficial, disseram testemunhas.
Um deles explodiu ao atingir uma barreira de proteção de concreto. Minutos depois, o segundo veículo foi detonado no mesmo local.
Várias residências ruíram e uma enorme cratera foi aberta na rua em que houve o atentado.
Uma nuvem de fumaça pôde ser vista sobre a cidade, subindo centenas de metros rumo ao céu.
O governo do Iraque tem tentado minimizar o escândalo das denúncias de tortura de presos.
O ministro do Interior, Bayan Jabr, disse que aparentemente poucos detentos foram alvo de maus tratos e que abusos não seriam tolerados.
Segundo ele, alguns dos homens mantidos presos no edifício atacado nesta sexta-feira eram estrangeiros suspeitos de participação em atentados, e eram mantidos no local porque eram "os terroristas mais criminosos".
A alta comissária da ONU para a Defesa dos Direitos Humanos, Louise Arbour, pediu uma investigação internacional a respeito das condições em que prisioneiros são mantidos no Iraque.
Grupos sunitas também pedem um inquérito internacional sobre o caso, e denunciam milícias xiitas ligadas ao Ministério do Interior de serem as responsáveis pela tortura.