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18 de novembro, 2005 - 18h44 GMT (16h44 Brasília)

Sobem para 75 mortes em ataques a mesquitas no Iraque

O Iraque vive mais um dia de extrema violência nesta sexta-feira, com dezenas de mortos após atentados suicidas a mesquitas e a um edifício do Ministério do Interior.

Dois militantes mataram pelo menos 75 pessoas e feriram dezenas em ações contra fiéis que participavam de orações em duas mesquitas xiitas em Khanaqin, perto da fronteira iraniana.

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Khanaqin é uma cidade de população xiita e curda a nordeste da capital Bagdá.

Horas antes desses ataques, uma ofensiva com dois carros-bomba em frente a um edifício do Ministério do Interior em Bagdá matou pelo menos oito pessoas e feriu outras 40.

Outras 40 pessoas ficaram feridas na dupla ação suicida, no centro do bairro de Jadirya. A força da explosão derrubou alguns prédios residenciais das proximidades.

Autoridades e testemunhas disseram que um hotel utilizado por estrangeiros nas proximidades do local pode ter sido o principal alvo do atentado.

Série de ataques

Os ataques suicidas em Khanaqin, no nordeste do Iraque, são os últimos em uma série de ataques contra mesquitas xiitas no país.

O correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, afirma que os ataques têm como objetivo provocar esta facção muçulmana, já que todos os feridos e mortos são xiitas que estava fazendo suas preces de sexta-feira.

"Dois suicidas usando cintos com explosivos entraram nas mesquitas Grande e Pequena de Khanaqin e explodiram seus dispositivos", disse Ibrahim Hasan al-Bajalan, líder do conselho da província de Diyala, à agência de notícias AFP.

Segundo o correspondente da BBC, as explosões fortes em locais fechados, lotados de fiéis, causaram muitos danos e um número muito alto de feridos.

Hospitais em toda a região tiveram que ser mobilizados pois os hospitais da cidade não conseguiram atender a todos os feridos.

Bajalan afirmou que as duas mesquitas foram completamente destruídas pelos ataques e acrescentou que teme que muitos outros feridos podem estar presos debaixo dos destroços.

Forças de segurança foram mobilizadas para a área logo depois dos ataques e um toque de recolher foi imposto, segundo informações da agência de notícias AFP.

Escândalo de tortura

A sede do Ministério do Interior atacada em Bagdá está no centro de um escândalo de tortura que vem abalando a imagem do governo iraquiano.

A maioria das vítimas desses abusos seria de muçulmanos sunitas – comunidade de onde vem a maior parte dos insurgentes no país.

No ataque desta sexta-feira, os dois carros-bombas foram conduzidos contra o prédio oficial, disseram testemunhas.

Um deles explodiu ao atingir uma barreira de proteção de concreto. Minutos depois, o segundo veículo foi detonado no mesmo local.

Várias residências ruíram e uma enorme cratera foi aberta na rua em que houve o atentado.

Uma nuvem de fumaça pôde ser vista sobre a cidade, subindo centenas de metros rumo ao céu.

O governo do Iraque tem tentado minimizar o escândalo das denúncias de tortura de presos.

O ministro do Interior, Bayan Jabr, disse que aparentemente poucos detentos foram alvo de maus tratos e que abusos não seriam tolerados.

Segundo ele, alguns dos homens mantidos presos no edifício atacado nesta sexta-feira eram estrangeiros suspeitos de participação em atentados, e eram mantidos no local porque eram "os terroristas mais criminosos".

A alta comissária da ONU para a Defesa dos Direitos Humanos, Louise Arbour, pediu uma investigação internacional a respeito das condições em que prisioneiros são mantidos no Iraque.

Grupos sunitas também pedem um inquérito internacional sobre o caso, e denunciam milícias xiitas ligadas ao Ministério do Interior de serem as responsáveis pela tortura.