18 de novembro, 2005 - 17h18 GMT (15h18 Brasília)
As Nações Unidas recusaram formalmente nesta sexta-feira um convite dos Estados Unidos para visitar o campo de prisioneiros de Guantánamo, dizendo que não poderiam aceitar as restrições impostas pelo governo americano.
Especialistas em direitos humanos da ONU dizem que os Estados Unidos se recusaram a garantir a eles o direito de conversar em particular com os presos.
Isso seria necessário para uma “avaliação confiável, objetiva e justa da situação dos presos”, segundo os especialistas.
Cerca de 500 suspeitos de ações terroristas são mantidos presos no campo militar americano. O acesso aos presos foi concedido apenas à Cruz Vermelha.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha relata suas descobertas apenas para as autoridades de detenção.
Tratamento dos presos
Ativistas de direitos humanos vem expressando sua preocupação crescente sobre o tratamento dos presos em Guantánamo, alguns dos quais estão em greve de fome.
Os pedidos para que o campo seja aberto à fiscalização de especialistas em direitos humanos aumentou neste ano, após alegações de abusos no campo de prisioneiros.
Funcionários da ONU vêm tentando visitar o campo de Guantánamo desde sua abertura, em janeiro de 2002.
No mês passado, o Pentágono disse que os inspetores da ONU poderiam visitar o campo no dia 6 de dezembro.
A ONU concordou em limitar a visita a apenas um dia, em vez de três, e de enviar três monitores em lugar de cinco.
Mas o organismo internacional permaneceu firme em sua posição de que os inspetores não fariam a visita se não pudessem falar com os presos em particular.
Os inspetores da ONU dizem que visitar o campo sob tais restrições “iria contra os princípios” sob os quais eles trabalham.
“É particularmente decepcionante que o governo dos Estados Unidos, que vem declarando consistentemente seu compromisso com os princípios, a independência e a objetividade do mecanismo de inspeção, não estivesse em uma posição de aceitar essas condições”, disse um comunicado da ONU.