15 de novembro, 2005 - 16h12 GMT (14h12 Brasília)
A polícia de Uganda matou a tiros nesta terça-feira pelo menos uma pessoa e prendeu dezenas de manifestantes na capital do país, Kampala, no segundo dia de protestos contra a prisão de Kizza Besigye, um líder da oposição.
Enquanto a polícia atirava contra os manifestantes e jogava gás lacrimogêneo, acusações de estupro e traição eram lidas contra o líder na Suprema Corte do país.
Os manifestantes acreditam que as acusações visam impedir Besigye de desafiar o presidente Yoweri Museveni nas eleições de março do próximo ano.
O correspondente da BBC em Kampala Will Ross diz que há uma crescente preocupação sobre o clima político no país, que fica no centro da África.
No início deste ano, a Grã-Bretanha e outros doadores retiraram parte da ajuda ao país depois que a Constituição foi mudada para permitir ao presidente Museveni concorrer a um terceiro mandato.
Violência
Segundo o correspondente da BBC, alguns manifestantes recorreram à violência, ateando fogo e saqueando o comércio. O homem morto a tiros estava supostamente tentando roubar artigos.
“Acreditamos que essas acusações foram fabricadas. Museveni está apenas tentando removê-lo da campanha eleitoral porque sabe que Besigye o derrotará”, disse à agência de notícias Reuters Wafula Oguttu, porta-voz do Fórum pela Mudança Democrática, ligado a Besigye.
O chefe da polícia de Uganda, Kale Kayihura, nega veementemente que as acusações foram criadas para impedir Besigye de disputar as eleições.
“Isso não tem nada a ver com política partidária”, contou Kayihura ao programa Rede África, da BBC.
Besigye concorreu contra o atual presidente nas eleições de 2001. Derrotado, ele se exilou na África do Sul depois que Museveni o acusou de tramar um golpe com grupos rebeldes.
Nas décadas de 1970 e 1980, Uganda se tornou conhecido pelos abusos contra os direitos humanos cometidos pelo ditador Idi Amin (1971-1979) e depois no retorno ao poder de Milton Obote, que tinha sido deposto por Amin.
Nessa época, quase meio milhão de pessoas foram assassinadas em ações supostamente patrocinadas pelo Estado.