15 de novembro, 2005 - 04h15 GMT (02h15 Brasília)
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, adiou a sua partida de Jerusalém, horas depois de dizer que Israel e as autoridades palestinas estavam próximos de um acordo que daria maior liberdade de movimento aos palestinos da Faixa de Gaza.
Uma fonte do Departamento de Estado disse que a secretária, que vem se reunido com autoridades israelenses e palestinas nos últimos dois dias, continuava negociando com palestinos na noite desta segunda-feira e mantinha contato com israelenses por telefone.
As negociações se referem à fronteira de Rafah, em Gaza, com o Egito, e a dois pontos de passagem entre Gaza e Israel, Karni e Erez. Os três acessos foram fechados desde que Israel retirou as suas forças do território palestino, em setembro.
A reabertura dessas passagens é considerada crucial para a economia de Gaza e para as exportações palestinas de uma forma geral.
Segundo a rádio israelense, Rice estaria pressionando os dois lados para que um acordo saísse ainda nesta terça-feira.
Atraso na Ásia
Ao estender a sua estada no Oriente Médio, a secretária americana deverá chegar mais tarde à Ásia e perder alguns eventos da reunião da Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia–Pacífico, na sigla em inglês), em Pusan, na Coréia do Sul.
Ainda em Ramallah, onde esteve nesta segunda-feira, ela disse que “com vontade e alguma criatividade” um acordo para abrir passagens de fronteiras “poderia estar à vista”.
“O que é necessário é algum acordo sobre como melhorar a liberdade de movimento dos palestinos em Gaza”, disse ela após sua reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Rice, que tenta dar um novo impulso às negociações de paz na região após a retirada militar de Israel de Gaza, disse que os palestinos precisam combater o terrorismo e Israel precisa ajudar a melhorar as condições de vida dos palestinos.
A secretária de Estado disse acreditar que “eles já conseguiram muitos progressos” nas negociações.
Israel mantém controles estritos na passagem para dentro e para fora da faixa costeira de Gaza, que abriga mais de 1 milhão de palestinos.
'Prisão gigante'
No domingo, o enviado do chamado "quarteto" internacional que busca uma saída para o conflito do Oriente Médio, James Wolfensohn, alertou que a Faixa de Gaza pode virar uma "prisão gigante", caso vias de passagem para Israel e para o Egito não sejam totalmente abertas.
Wolfensohn, que foi indicado para o cargo pelos Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU após deixar a Presidência do Banco Mundial, fez os comentários depois de se encontrar com negociadores israelenses e palestinos.
Ele disse que os próximos três dias serão "críticos" para decidir se bens produzidos na região poderão ser vendidos para outros países.
A Autoridade Palestina espera poder exportar produtos agrícolas que estão amadurecendo em centenas de hectares de estufas que foram deixadas pelos colonos israelenses que deixaram a Faixa de Gaza há alguns meses.
Mas o governo israelense tem imposto restrições à passagem pela fronteira da Faixa de Gaza com o país, alegando considerações na área de segurança.
'Esperança'
A viagem de Rice à região é a primeira desde que a retirada de Israel da Faixa de Gaza foi concluída, em setembro.
Ela disse que a iniciativa oferece uma oportunidade de avanço.
"Se palestinos combaterem o terrorismo e se Israel não tomar iniciativas que prejulguem um acordo final e trabalhar para melhorar a vida diária dos palestinos, a possibilidade de paz é esperançosa e realista", disse ela em Jerusalém.
O negociador palestino Saeb Erekat disse à BBC que Rice é a pessoa na melhor posição para restaurar a esperança dos palestinos, reativando as negociações.
Para alguns diplomatas americanos, porém, as chances de progresso no momento não são as melhores, até porque o governo de Ariel Sharon, em Israel, enfrenta uma crise política após o anúncio de que o Partido Trabalhista pode deixar sua coalizão.
O Parlamento de Israel deve votar uma série de moções de confiança no governo na quarta-feira. O apoio do Partido Trabalhista é decisivo para a sobrevivência do governo.