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15 de novembro, 2005 - 17h59 GMT (15h59 Brasília)

Caso Jean: Relatório anglicano endossa política de 'atirar para matar'

Um comitê da Igreja Anglicana formulou um relatório que diz que mortes que ocorrerem durante operações contra supostos extremistas, como a que vitimou o brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres, no mês de julho, poderiam ser justificadas.

O documento, intitulado Enfrentando os Desafios do Terrorismo , está sendo debatido num sínodo nacional da Igreja nesta terça-feira.

“Algumas vezes você julga entre duas coisas que são erradas para obter o melhor resultado. Obviamente assassinar alguém é errado, mas, se isso previne muitos outros assassinatos, isso pode talvez ser a única coisa a fazer”, disse o bispo Tom Butler, que preside o comitê que elaborou o relatório.

Depois que Jean Charles foi morto a tiros pela polícia londrina houve uma condenação pública da política de "atirar para matar", adotada pelas forças de segurança no combate a supostos extremistas na Grã-Bretanha.

Vozes discordantes

Muitos membros da comunidade anglicana parecem discordam do relatório. Alguns dizem que um assassinato nunca pode ser justificado, enquanto outros acreditam que a política de “atirar para matar” criará mais homens-bomba.

O documento também condena o plano do governo britânico de deter suspeitos de ligação com atos extremistas por 90 dias, sem julgamento, recentemente derrotado no Parlamento, bem como sua tentativa de tornar ilegal a “glorificação do terrorismo”.

O relatório da Igreja Anglicana também pede maior atenção às causas latentes do na raiz de ações extremistas, incluindo a questão do Oriente Médio.