14 de novembro, 2005 - 20h22 GMT (18h22 Brasília)
O presidente da França, Jacques Chirac, disse nesta segunda-feira que os distúrbios dos últimos 19 dias no país constituem uma “crise de identidade”.
Em pronunciamento em rede nacional de TV, ele também disse que a prioridade do governo no momento é restaurar a ordem e aplicar as leis contra a imigração ilegal e o tráfico de pessoas.
Chirac garantiu ainda aos jovens que têm demonstrado seu descontentamento participando dos distúrbios dos últimos 19 dias, a maioria pertencentes a minorias étnicas, que iniciativas serão tomadas para melhorar suas situações.
Mas afirmou que a Justiça francesa não vai “fraquejar” diante de quem está participando de atos violentos.
“Cada um deve saber que não se pode violar a lei com impunidade”, disse o presidente francês.
Emergência prorrogada
Ainda nesta segunda-feira, o governo da França decidiu pedir a prorrogação da validade dos poderes de emergência adotados depois do início dos distúrbios.
O gabinete do primeiro-ministro Dominique de Villepin anunciou que iria pedir nesta terça-feira o prolongamento ao Parlamento francês.
Os atuais poderes de emergência têm uma validade de 12 dias, e o governo teria interesse em estendê-los por mais três meses.
Caso aprovada, a extensão deve começar a valer a partir da próxima segunda-feira, quando expira o prazo atual.
Calma
As autoridades francesas afirmaram que a noite de domingo para segunda-feira foi mais calma, com uma redução no número de incidentes.
A polícia chegou a estimar que os distúrbios podem estar chegando ao fim.
No domingo, a União Européia ofereceu 50 milhões de euros (cerca de US$ 58,6 milhões) para ajudar na recuperação dos estragos causados pelos distúrbios.
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que até 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,17 bilhão) poderiam ser disponibilizados no futuro para a criação de empregos e ações para promover a coesão social na França. A maior parte dos problemas vêm envolvendo jovens de descendência árabe e africana.
Seguradoras estimam que os prejuízos causados pelos 19 dias de distúrbios no país podem chegar a 200 milhões de euros (cerca de US$ 234 milhões).