12 de novembro, 2005 - 04h25 GMT (02h25 Brasília)
O Conselho de Segurança da ONU exortou os liberianos a resolverem a disputa em torno das eleições presidenciais realizadas nesta semana no país de forma pacífica e legal.
Com 97% dos votos apurados, a ex-economista do Banco Mundial Ellen Johnson-Sirleaf aparece com ampla vantagem (59%) em relação ao seu adversário no segundo turno, o astro de futebol George Weah (41%).
Mas o resultado é contestado por Weah e seus partidários, que entraram em confronto nesta sexta-feira com as forças de paz da ONU durante uma manifestação contra supostas fraudes nas eleições.
Nesta sexta-feira, Weah defendeu a realização de um novo pleito, mas pediu aos seus simpatizantes – muitos dos quais são ex-combatentes da guerra civil de 14 anos – para permanecerem calmos até que as alegações de fraude sejam esclarecidas.
Ainda assim, pelo menos uma pessoa ficou ferida quando as forças da ONU usaram gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação, uma passeata que passou diante da sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e da Embaixada dos Estados Unidos.
As forças de paz da ONU dizem que só usaram o gás depois que alguns manifestantes tentaram romper o cordão de isolamento que protegia a embaixada.
Primeira mulher
Observadores internacionais que acompanharam a votação dizem que o processo foi, de forma geral, transparente e que se houve irregularidades, elas não chegam a ameaçar o resultado final.
Johnson-Sirleaf desqualificou as acusações de fraude e disse esperar que Weah faça parte do seu governo depois de "superar a sua decepção".
Se o resultado for confirmado, a candidata conhecida como a "Dama de Ferro" será a primeira mulher a ser eleita presidente em um país na África.
A eleição foi realizada após um acordo que terminou com a guerra civil há dois anos.
A força de paz das Nações Unidas na Libéria, com 15 mil homens, reforçou seu efetivo nas ruas para tentar evitar mais distúrbios.
Ainda nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma outra resolução sobre a Libéria, determinando que as forças de paz da ONU detenham o ex-presidente Charles Taylor se ele regressar ao país.
Um tribunal da ONU baseado em Serra Leoa quer julgar Taylor, que está exilado na Nigéria, por crimes contra a humanidade supostamente cometidos durante a guerra civil em Serra Leoa (1991-2001).