12 de novembro, 2005 - 06h32 GMT (04h32 Brasília)
A equipe da ONU que investiga o assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri questionou o presidente do Líbano, Emile Lahoud, sobre o caso, durante um encontro realizado na sexta-feira no seu palácio presidencial.
Um comunicado divulgado pelo gabinete de Lahoud neste sábado diz que o presidente "deu (aos investigadores) informações verdadeiras e precisas envolvendo chamadas telefônicas recebidas pelo gabinete do presidente antes do terrível crime".
O encontro foi o primeiro entre Lahoud e a equipe de investigadores liderada pelo promotor alemão Detlev Mehlis.
Telefonema
O responsável pela investigação já disse anteriormente que não considera o presidente libanês suspeito no ataque do último dia 14 de fevereiro, que matou Hariri e outras 20 pessoas em Beirute.
A equipe de Mehlis apurou, entretanto, que um suspeito telefonou para o gabinete de Lahoud minutos antes da explosão.
O assassinato de Hariri, um crítico da influência síria no Líbano, provocou protestos e indignação internacional que acabaram culminando com o fim dos 29 anos de presença militar síria no país.
Vários assessores do presidente libanês foram presos por acusações relacionadas à morte de Hariri depois da divulgação de um relatório implicando membros do alto escalão dos governos do Líbano e da Síria no crime.
Os dois países negam as acusações, mas têm estado sob intensa pressão internacional para colaborar com o inquérito.
Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cobrou a colaboração "total" da Síria e disse que o país tem que parar de tentar "intimidar e desestabilizar" o Líbano.
Na quinta-feira, o presidente sírio, Bashar Al-Assad, disse que seu país iria colaborar com as investigações da ONU, mas não sacrificaria os seus interesses nacionais.