12 de novembro, 2005 - 19h14 GMT (17h14 Brasília)
A polícia enfrentou manifestantes no centro de Lyon, na França – no que está sendo descrito como a primeira vez em que os distúrbios das últimas semanas ocorrem na região central de uma grande cidade do país.
A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar um grupo de adolescentes, em choques que ocorreram pouco antes da entrada em vigor do toque de recolher na cidade.
Duas prisões foram feitas pelos policiais.
Testemunhas relataram à agência de notícias Reuters que cerca de 50 adolescentes danificaram veículos e quebraram vitrines.
Na Praça Bellecour, um ponto histórico de Lyon, os jovens se chocaram com tropas de choque da polícia, lançando pedras e latas de lixo contra os agentes, que responderam com gás lacrimogêneo.
Consumidores fugiram da área e lojas fecharam suas portas após o início dos enfrentamentos, e os jovens foram rapidamente dispersados, segundo testemunhas.
Paris
Milhares de policiais saíram às ruas de Paris neste sábado para impedir aglomerações públicas capazes de provocar distúrbios na capital francesa.
A proibição foi adotada na sexta-feira, seguindo medidas de emergências autorizadas pelo governo francês, entrou em vigor na manhã deste sábado e vai continuar valendo até a manhã de domingo.
A polícia diz ter interceptado e-mails e mensagens de telefone celular convocando "atos violentos" na cidade neste sábado.
Os distúrbios que estão tomando lugar na França nas últimas duas semanas continuaram na noite de sexta-feira para sábado.
Mais de 500 carros foram incendiados, dois policiais ficaram feridos e 206 pessoas acabaram na cadeia durante a noite em todo o país.
Foram números superiores aos da noite anterior, mas menores do que nos piores momentos dos atuais conflitos.
Estado de emergência
As autoridades francesas dizem que as medidas aprovadas na quarta-feira estão surtindo efeito e que a revolta está arrefecendo.
A polícia francesa mobilizou cerca de 12 mil agentes em todo o país para garantir a segurança no fim de semana.
Na sexta-feira, um grupo de pessoas, incluindo de comunidades fora de Paris, se concentrou perto da Torre Eifell para pedir o fim do vandalismo e da violência.
O governo declarou estado de emergência em Paris e mais de 30 áreas para tentar conter a revolta. Em algumas áreas, vigoram toques de recolher para impedir os distúrbios que ocorrem durante a noite.
A violência foi detonada pelas mortes de dois adolescentes no subúrbio de Clichy-sous-Bois. Eles morreram eletrocutados numa estação de energia; muitos moradores acreditam que eles estavam sendo perseguidos pela polícia.
A população da periferia de Paris é composta majoritariamente por descendentes de imigrantes vindos de ex-colônias francesas, como eram os dois jovens mortos.
Especialmente afetados pelo alto desemprego no país, eles se queixam de discriminação e racismo.