12 de novembro, 2005 - 00h37 GMT (22h37 Brasília)
O governo da Colômbia disse nesta sexta-feira que está pronto a estender o prazo estabelecido para a desmobilização do principal grupo paramilitar do país, as AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia).
As AUC já disseram ter desarmado milhares de seus integrantes, mas o processo foi interrompido diante do temor de que alguns de seus líderes poderiam ser extraditados aos Estados Unidos.
O governo havia estabelecido um prazo até 31 de dezembro para que o grupo se desmobilizasse, seguindo um controverso processo de paz.
O acordo entre as AUC e o governo foi alvo de críticas das Nações Unidas e de grupos de defesa dos direitos humanos, que o acusavam de ser leniente com os paramilitares.
As AUC são acusadas por esses grupos de cometer abusos contra supostos colaboradores das guerrilhas de esquerda.
Semanas decisivas
O negociador de paz do governo, Luis Carlos Restrepo, disse que as próximas duas semanas serão decisivas para o estabelecimento de um novo prazo.
Esta é a primeira vez que Restrepo admitiu a possibilidade de estender o prazo para a desmobilização.
O governo havia dito anteriormente que as AUC deveriam se desmobilizar no prazo determinado ou enfrentariam uma ação do Exército.
Diversos líderes das AUC têm pedidos de extradição aos Estados Unidos pendentes por acusações relativas a abusos aos direitos humanos e tráfico de drogas.
Mais de 11 mil dos 19 mil membros do grupo já teriam entregado suas armas em troca de uma anistia governamental.
Dezenas de milhares de civis já morreram durante as mais de quatro décadas de guerra civil na Colômbia envolvendo rebeldes de esquerda, paramilitares de direita e as forças do governo.
Farc
Restrepo também anunciou que está em negociações com o principal grupo guerrilheiro de esquerda, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), para a libertação de 60 reféns mantidos pelos rebeldes.
Mas ele também repetiu que o governo rejeita as demandas dos rebeldes para o estabelecimento de uma grande área desmilitarizada no país.
Entre os reféns mantidos pelas Farc estão a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, outros políticos e três cidadãos americanos.
As Farc e o governo começaram a negociar há quase três anos a soltura de centenas de rebeldes presos em troca da libertação dos reféns, mas as conversações estavam estancadas.