06 de novembro, 2005 - 16h32 GMT (14h32 Brasília)
O primeiro-ministro britânico Tony Blair admite que poderá ceder nas negociações com o Parlamento para a aprovação final de sua nova legislação antiterror, disse uma porta-voz do governo à BBC.
A declaração contrasta com o tom duro adotado por Blair na entrevista publicada hoje pelo jornal londrino Sunday Telegraph, onde o primeiro-ministro disse que seria uma "derrota" para a segurança da Grã-Bretanha se os planos para deter suspeitos por até 90 dias sem julgamento fossem bloqueados pelos parlamentares.
Atualmente, a polícia britânica pode deter suspeitos de atos de terror por no máximo 14 dias sem julgamento.
O recuo do primeiro-ministro reflete as dificuldades enfrentadas por Blair para aprovar seus novos planos antiterror no Parlamento, onde ele enfrenta a oposição dos partidos Conservador, Liberal-Democrata e até mesmo dentro de seu próprio partido, o Trabalhista.
Rebelião
Na última quarta-feira, Blair quase foi derrotado em uma votação inicial sobre o projeto, quando 31 parlamentares do Partido Trabalhista se rebelaram contra a proposta, que passou por apenas um voto.
Na entrevista ao Telegraph, o primeiro-ministro britânico diz que "acha muito estranho ter que tornar isso uma questão, quando virtualmente todas as semanas, em algum lugar do mundo, terroristas de alguma maneira ligados ao mesmo movimento estão assassinando muita gente".
"Penso que há uma complacência deplorável em boa parte do debate público sobre isso. A polícia me contou, e os serviços de seguranças confirmaram, que eles impediram duas novas tentativas de ataque após 7 de julho", disse Blair ao jornal londrino.
A nova legislação, em discussão no Parlamento, cria novos crimes, incluindo o apoio ou a glorificação do terrorismo, a preparação de atos terroristas e a visita a campos de treinamento terrorista.
Além disso, ela também prevê que os crimes poderão ser julgados nos tribunais britânicos, mesmo que tenham sido cometidos em outro país.