02 de novembro, 2005 - 14h46 GMT (12h46 Brasília)
O presidente da França, Jacques Chirac, pediu nesta quarta-feira calma às comunidades de imigrantes de um subúrbio de Paris onde manifestantes entraram em confronto com a polícia pelo sexto dia seguinte durante a madrugada.
Chirac pediu mais diálogo, dizendo que uma crescente falta de respeito às autoridades levaria a uma "situação perigosa". Mas ele também disse que a lei deve ser aplicada com firmeza.
Os distúrbios iniciados no bairro de Clichy-sous-Bois foram provocados pela morte de dois adolescentes que estariam fugindo da polícia, segundo os moradores. Eles morreram eletrocutados ao escalar uma estação de transmissão elétrica.
A polícia, no entanto, nega que estivesse perseguindo os adolescentes, de 15 e 17 anos, no momento das mortes. Uma investigação oficial foi aberta para apurar as circunstâncias das mortes.
"A lei precisa ser aplicada num espírito de diálogo e respeito", disse Chirac. "A falta de diálogo e a escalada da atitude de desrespeito levarão a uma situação perigosa", disse ele durante uma reunião de gabinete, segundo um porta-voz.
O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, adiaram viagens ao exterior para tentar acalmar a situação em Paris.
Ambos se reuniram com os pais dos dois jovens, policiais e líderes comunitários na terça-feira num esforço para aliviar as tensões.
Mas, mesmo após os encontros, Paris voltou a ter episódios de violência, que se espalharam também para outras partes de Paris.
Carros incendiados
Segundo a polícia, cerca de 60 carros foram incendiados no Departamento de Seine-Saint-Denis, região ao norte de Paris onde fica Clichy-sous-Bois, o epicentro dos protestos.
Nos subúrbios de Aulnay-sous-Bois e Sevran, grupos de jovens jogaram pedras contra policiais anti-choque, que reagiram disparando balas de borracha.
Em Clichy-sous-Bois, no entanto, a noite foi relativamente calma, embora o bairro permaneça sob intensa vigilância policial.
Quatro pessoas foram presas por atirar pedras contra a polícia em Bondy, onde 14 carros foram queimados, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Habitados majoritariamente por imigrantes, os subúrbios parisienses registram índices de desemprego maiores do que a média nacional, que, na casa de 10%, já é alta.