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02 de novembro, 2005 - 05h45 GMT (03h45 Brasília)

Paris tem mais uma noite de violência em subúrbios

Grupos de jovens entraram em confronto com a polícia francesa, na sexta noite consecutiva de protestos violentos nos subúrbios de Paris.

Segundo a polícia, cerca de 60 carros foram incendiados no Departamento de Seine-Saint-Denis, região ao norte de Paris onde fica Clichy-sous-Bois, o epicentro dos protestos.

Nos subúrbios de Aulnay-sous-Bois e Sevran, grupos de jovens jogaram pedras contra policiais anti-choque, que reagiram disparando balas de borracha.

A violência que começou em Clichy-sous-Bois na última sexta-feira vem se espalhando para outros subúrbios da capital francesa.

Em Clichy-sous-Bois, no entanto, a noite foi relativamente calma, embora o bairro permaneça sob intensa vigilância policial.

Os distúrbios da semana passada foram provocados pela morte de dois adolescentes que estariam fugindo da polícia, segundo os moradores de Clichy-sous-Bois. Eles morreram eletrocutados ao escalar uma estação de transmissão elétrica.

A polícia, no entanto, nega que estivesse perseguindo os adolescentes, de 15 e 17 anos, no momento da morte. Uma investigação oficial foi aberta para apurar as circunstâncias das mortes.

Segundo a agência de notícias France Presse, a ordem foi restaurada por volta de 1h30 do horário local (21h30 em Brasília).

Quatro pessoas foram presas por atirar pedras contra a polícia em Bondy, onde 14 carros foram queimados, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Habitados majoritariamente por imigrantes, os subúrbios parisienses registram índices de desemprego maiores do que a média nacional que, aos 10%, já é alta.

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, encontrou-se com familiares dos adolescentes nesta terça-feira e pediu calma no esclarecimento do incidente.

O ministro do Interior Nicolas Sarkozy, com quem as famílias haviam se recusado a conversar um dia antes, também participou da reunião. Sarkozy tem sido criticado pela resposta aos distúrbios.

"Quando um ministro do Interior não hesita em usar termos ofensivos, chamando de turba comunidaes que têm a infelicidade de serem frágeis é a imagem do país que é prejudicada", disse o Partido Socialista, de oposição, em uma nota sobre os protestos.

Embora Sarkozy tenha sido o representante do governo mais atacado, o presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Dominique de Villepin também vêm recebendo críticas.