02 de novembro, 2005 - 02h24 GMT (00h24 Brasília)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que pode enviar aviões de combate, do tipo caça F-16, para Cuba ou China, no caso de os Estados Unidos não venderem ao seu país peças necessárias para a manutenção das aeronaves.
"Nós podemos fazer o que quisermos com os aviões. Talvez nós mandemos dez para Cuba, ou talvez para a China para que eles possam ver a tecnologia. Digo com qualquer país que possa usá-los", afirmou Chávez.
O presidente fez a ameaça durante uma cerimônia que marcou o anúncio do desenvolvimento de um satélite de telecomunicações venezuelano com ajuda chinesa.
Chávez disse que estava apenas "pensando alto", mas deu a entender que o governo do presidente George W. Bush não gostaria de ver aeronaves modernas americanas em poder dos governos cubano e chinês.
Os aviões foram vendidos pelos Estados Unidos a administrações venezuelanas que antecederam Chávez e com quais Washington mantinha melhores relações.
Chávez, um dos maiores críticos da política externa americana, também acusou o governo Bush de tentar interferir nas negociações entre a Venezuela e outros países sobre a manutenção de equipamentos militares e aquisição de armas.
O presidente parecia se referir a relatos de que Israel foi pressionado pelos Estados Unidos a cancelar um negócio com a Venezuela, envolvendo a manutenção da frota de F-16s.
"Quebra de contrato"
Segundo Chávez, os Estados Unidos quebraram um contrato para fornecer peças aos 21 caças que vendeu à Venezuela nos anos 80.
Se a ameaça for cumprida, a Venezuela estará quebrando a obrigação contratual de proteger a tecnologia dos F-16.
O analista da BBC para a América Latina, Simon Watts, diz, entretanto, que os comentários podem ser mais um exemplo de provocações de Chávez que não resultam em nada.
Por outro lado, o analista ressalta a proximidade da Venezuela com Cuba e a parceria com a China no desenvolvimento do satélite como um sinal de aproximação com o gigante comunista.
Para Watts, a formulação de políticas na base do improviso que o presidente venezuelano parece cultivar aumenta as preocupações em Washington em relação à sua capacidade de desestabilizar a região.
Chávez e Bush estarão em Mar del Plata, na Argentina, no fim desta semana para participar da Cumbre das Américas. A presença dos rivais no mesmo encontro tende a destacar as visões divergentes que os dois representam para a América Latina.
Em seu pronunciamento nesta terça-feira, Chávez disse que vai levar à Argentina a mensagem de que o modelo "imperialista" de Washington é responsável pela exploração de países em desenvolvimento e pela destruição do meio ambiente. "Nós não precisamos do imperialismo americano para viver", disse.