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01 de novembro, 2005 - 04h00 GMT (02h00 Brasília)

ONU exige entrevistas com presos de Guantánamo

Três especialistas em direitos humanos da ONU afirmaram nesta segunda-feira que só vão aceitar o convite do governo americano para visitar a prisão da baía de Guantánamo, em Cuba, se puderem falar com os detidos em particular.

Os especialistas indicaram que concordariam com algumas limitações, mas não com a proibição de entrevistas privadas, como querem os Estados Unidos.

"Isso não apenas infringe os termos de referência para missões de investigação, como mina o objetivo de uma avaliação objetiva e justa", diz um comunicado dos três enviados da ONU.

Depois de mais de três anos de a ONU ter pedido para visitar as instalações de Guantánamo, o Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA) disse na sexta-feira que os três enviados, incluindo o relator especial sobre o tortura, poderiam visitar a prisão porque não havia "nada a esconder".

O Pentágono, no entanto, impôs a condição de que eles não conversassem com os cerca de 500 prsioneiros, alegando que essa era uma atribuição do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a única organização que teve acesso direto aos prisioneiros até hoje.

Organizações humanitárias criticam as condições em que prisioneiros estão sendo mantidos – dos mais de 500 presos, apenas quatro deles foram formalmente acusados.

Um número incerto de prisioneiros está em greve de fome em protesto contra a situação.

A ONU pediu permissão para visitar Guantánamo assim que a prisão foi aberta em janeiro de 2002, meses depois da invasão americana do Afeganistão que derrubou o Talebã e acabou com a prisão de milhares de suspeitos de "terrorismo".