01 de novembro, 2005 - 13h55 GMT (11h55 Brasília)
Antes mesmo de tomar posse, o novo governo alemão já sofre sua primeira crise política, com a provável desistência do líder conservador Edmund Stoiber em participar do gabinete.
Stoiber havia sido indicado para assumir o cargo de ministro da Economia no governo que Angela Merkel tenta montar.
A indicação da também conservadora Merkel como futura primeira-ministra ocorreu no dia 10 de outubro, após semanas de discussões que culminaram num acordo entre sua coalizão de centro-direita com o Partido Social Democrata (SPD, centro-esquerda), do atual premiê alemão, Gerhard Schröder.
Na segunda-feira, o presidente do SPD, Franz Müntefering, já havia anunciado que não permaneceria à frente do partido e disse que é improvável que vá assumir o cargo para o qual havia sido indicado, de ministro do Trabalho, no novo governo.
O correspondente da BBC em Berlim Ray Furlong diz que tanto Stoiber quanto Müntefering foram figuras-chave nas negociações para a formação da coalizão ampla entre esquerda e direita.
Para Furlong, as desistências não somente tornam a tarefa de montar o gabinete mais difícil, como devem enfraquecer ainda mais o novo governo.
Questionamento
Alguns líderes democratas-cristãos já começaram até mesmo a questionar abertamente se o novo governo será formado.
Para Ray Furlong, após as desistências, o prazo de 22 de novembro que Merkel havia estabelecido para a formação do novo governo foi colocado em dúvida.
Segundo políticos conservadores citados pela mídia alemã, Stoiber teria decidido abdicar de seu cargo no ministério para permanecer como governador da Bavária, onde está sua base eleitoral.
A decisão de Müntefering, por sua vez, foi tomada após seu candidato ao segundo cargo mais importante de seu partido ter perdido a eleição interna na agremiação.
Merkel ainda não comentou as prováveis desistências.