31 de outubro, 2005 - 18h21 GMT (16h21 Brasília)
Pelo menos 17 mil crianças morreram no terremoto do último dia 8 de outubro no sul da Ásia, disse o Fundo das Nações Unidas para Crianças, o Unicef.
Segundo o Unicef, os sobreviventes ou estão feridos ou sofreram o trauma de perder colegas e professores.
O Unicef também alertou para uma possível segunda leva de mortes, se as crianças não receberem tratamento de saúde, água limpa e não forem imunizadas.
Autoridades paquistanesas disseram que pelo menos 55 mil pessoas morreram no tremor, 78 mil ficaram feridas e 3 milhões estão desabrigadas.
Outras 1,3 mil pessoas morreram na região da Caxemira controlada pela Índia.
Segundo o Unicef, o governo paquistanês estima que 6,7 mil escolas foram destruídas na província da Fronteira Noroeste, e 1,3 mil na região da Caxemira administrada pelo Paquistão, quando as crianças assistiam as aulas no turno da manhã.
Segundo a diretora-executiva do Unicef, Ann Veneman, o trauma sofrido pelas crianças que sobreviveram poderá ser pior do que o de quem sobreviveu ao tsunami, em dezembro passado.
O Unicef também estima que quase 20 mil crianças "terão deficiências físicas depois desta tragédia por causa dos ferimentos ou de amputações".
A diretora do orgão também pediu mais ajuda da comunidade internacional, afirmando que, até agora, só foi doada uma fração do que é necessário.
A ONU pediu US$ 550 milhões de ajuda, mas até agora recebeu promessas no valor de US$ 327 milhões.
A organização está liderando os esforços de ajuda para as milhões de pessoas afetadas pela tragédia, antes do início do rigoroso inverno da região.
Nesta segunda-feira, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, prometeu entregar 500 mil barracas até o fim de novembro.
"Estou totalmente confiante de que vamos superar os desafios e vou provar que os cínicos estão errados", disse Musharraf.
Grupos de ajuda disseram que 800 mil pessoas ainda estão desabrigadas no Paquistão.
O país também anunciou a abertura de dois acampamentos de ajuda na Linha de Controle que separa a Índia e o Paquistão na Caxemira. A Índia montou três acampamentos do outro lado.
Os acampamentos foram abertos depois que os dois países concordaram, no sábado, em abrir a Linha de Controle para ajudar as vítimas.
Os ítens de ajuda podem cruzar a fronteira e as famílias poderão atravessá-la a pé, em cinco pontos, no dia 7 de novembro. Veículos não poderão cruzar a fronteira.
Nos dois lados, as pessoas que quiserem cruzar a fronteira vão ter que pedir permissão do governo.