30 de outubro, 2005 - 23h49 GMT (20h49 Brasília)
Integrantes do Partido Republicano querem que George W. Bush remonte a sua equipe na Casa Branca, depois de uma semana traumática em que o nível de aprovação do presidente americano chegou ao mais baixo já registrado.
Os republicanos fizeram o apelo depois que o chefe de gabinete do ex-presidente Dick Cheney, Lewis Libby, foi levado a renunciar por ser acusado de envolvimento no caso do vazamento ilegal da identidade da agente da CIA Valerie Plame.
A investigação também coloca Karl Rove, considerado o 'cérebro' do governo de Bush, em risco.
Outro fator que abalou o governo Bush foi a retirada da candidatura de Harriet Miers, que havia sido indicada pelo presidente para a Suprema Corte.
'Energia nova'
O senador Trent Lott disse neste domingo que o presidente tem de lidar com o problema.
"É necessário estar sempre procurando por gente nova, energia nova, na administração. Eu não estou falando em mudanças por atacado, mas é preciso trazer outras maneiras de pensar', disse Lott à rede de TV Fox.
O senador John Cornyn, um leal aliado do presidente, disse que Bush tem 'uma oportunidade agora, depois de uma semana ruim, de dar uma virada'.
Outros republicanos afirmaram que o presidente deveria criar esse momento de virada indicando um substituto para a candidatura de Harriet Miers.
O correspondente da BBC em Washington, Clive Myrie, disse que os simpatizantes do presidente querem novas idéias e um novo começo depois da pior semana na vida política de Bush e de doze meses difíceis.
Uma pesquisa de opinião publicada neste domingo mostrou de 58% estão descontentes com o desempenho de Bush. Apenas 39% aprovam a sua performance.
Mas nossos correspondentes afirmam que não será fácil se concentrar novamente nos assuntos defendidos pelo presidente - como reforma previdenciária e redução de impostos - no atual clima político.
Democratas
Já os democratas estão aproveitando para 'disparar' contra o presidente.
O líder dos democratas no Senado, Harry Reid, disse ao programa This Week da ABC que Rove deveria deixar o governo.
'Rove ainda está por lá. Isso não deveria acontecer. A população americana merece uma satisfação pela crise que atinge a Casa Branca', afirmou.
O promotor especial Patrick Fitzgerald disse que Lewis Libby cometeu perjúrio sobre como e onde ele ficou sabendo e passou aos repórteres informações sobre Plame.
A identidade da agente Valerie Plame foi revelada à imprensa em 2003 depois que seu marido, o diplomata Joseph Wilson, acusou a administração Bush de manipular informações secretas para conseguir apoio para a guerra no Iraque.
Karl Rove escapou de ser indiciado imediatamente, mas ainda está sendo investigado.