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29 de outubro, 2005 - 07h19 GMT (04h19 Brasília)

Pentágono permite que ONU visite Guantánamo

O Pentágono convidou funcionários das Nações Unidas para visitar o campo de prisioneiros da baía de Guantánamo, mais de três anos após receber os primeiros pedidos para abrir o local a inspeções.

Três monitores de direitos humanos devem ser autorizados a entrar no local para observar as condições e questionar os funcionários, mas não devem ter acesso aos detentos.

O Pentágono disse que o convite mostra que não tem "nada a esconder".

Ativistas de direitos humanos criticam as condições no campo controlado pelos EUA em Cuba, onde dezenas de prisioneiros mantêm uma greve de fome em protesto contra o tratamento recebido.

"Exigências de segurança"

Em um comunicado, o Pentágono disse que procurou ser o mais aberto possível, mas ao mesmo tempo tomando em consideração "as exigências de segurança e de operação e a necessidade de garantir a segurança de nossas forças".

A ONU pediu pela primeira vez permissão para visitar o campo quando ele abriu, em janeiro de 2002, meses após a invasão do Afeganistão liderada pelos EUA que derrubou o regime Talebã.

Cerca de 500 prisioneiros estão hoje em Guantánamo, a maioria deles capturados no Afeganistão.

Um porta-voz do Pentágono, coronel Mark Ballesteros, disse que os funcionários da ONU não poderão falar com os presos porque esta é a função do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Acusações

A ONU acusa os EUA de ignorar seus repetidos pedidos para visitar o campo para averiguar as acusações de abusos aos direitos humanos.

Ativistas britânicos de direitos humanos dizem que cerca de 200 presos de Guantánamo estão em greve de fome em protesto contra as condições do local, enquanto o Pentágono diz que são 26 os presos que iniciaram a greve de fome em agosto.

Os EUA provocaram controvérsia com sua política de forçar a alimentação dos prisioneiros em greve de fome. OS ativistas dizem que a política é anti-ética e dolorosa, mas o Pentágono diz que ela está salvando vidas.