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28 de outubro, 2005 - 23h01 GMT (20h01 Brasília)

Bush se diz 'entristecido' com indiciamento

O presidente George W. Bush se disse "entristecido" com as notícias desta sexta-feira, dia em que Lewis Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente, Dick Cheney, pediu demissão após ter sido indiciado no caso sobre o vazamento da identidade de uma agente secreta.

"Embora estejamos todos entristecidos com as notícias de hoje, nós continuamos inteiramente focados nas muitas questões e oportunidades que este país enfrenta", afirmou Bush, antes de deixar Washington para Camp David, onde fica a casa de campo dos presidentes americanos.

"Eu tenho um trabalho a fazer, assim como as pessoas que trabalham na Casa Branca. Nós temos a função de proteger a população americana e é para isso que nós vamos continuar trabalhando duro."

Lewis Libby vinha sendo investigado pelo suposto envolvimento na divulgação do nome da agente da CIA (agência secreta americana) Valerie Plame, o que é um crime federal nos Estados Unidos.

Ele foi indiciado pelas acusações de perjúrio, obstrução da Justiça e por dar declarações falsas.

Problemas para Bush

O correspondente da BBC em Washington Justin Webb diz que o indiciamento de Libby causa problemas políticos para Bush, e deve continuar a causar ao longo do julgamento.

Analistas políticos entrevistados na TV americana destacam que o indiciamento ocorre em um momento crítico para o presidente, que terminava a semana já abalado pela retirada da candidatura de sua indicada à Suprema Corte (Harriet Miers) e pelo alcance da marca de 2 mil americanos mortos no Iraque.

Além de Libby, Karl Rove, considerado o mais importante conselheiro de Bush, também está sendo investigado pelo envolvimento no vazamento do nome da agente, mas escapou de ser indiciado imediatamente.

O correspondente da BBC informa que Lewis Libby era ainda mais importante do que o título do cargo que ocupava sugere. Ele é um mais proeminentes assessores da equipe de Bush e esteve intensamente envolvido nos esforços para convencer a opinião pública da necessidade da guerra contra o Iraque.

O ex-chefe de Libby, Dick Cheney – considerado um dos mais poderosos vice-presidentes história dos EUA –, provavelmente terá de testemunhar. Se condenado, Libby poderá receber uma sentença de até 30 anos de prisão.

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Em um comunicado por escrito, Cheney defendeu Libby, dizendo que seu ex-chefe de gabinete deve ser considerado inocente enquanto não for condenado pelo júri. Cheney disse que aceitava a demissão de Libby com lamento.

A identidade da agente Valerie Plame foi revelada à imprensa em 2003 depois que seu marido, o diplomata Joseph Wilson, acusou a administração Bush de manipular informações secretas para conseguir apoio para a guerra no Iraque.

Wilson afirma que a revelação do nome de sua mulher foi feita para abalar sua credibilidade. Outros levantaram a possibilidade de que o vazamento ocorreu em resposta a críticas do diplomata dirigidas ao governo.

Libby e Rove comentaram o vazamento da identidade da agente com jornalistas, em 2003, e os dois negaram ter revelado o nome de Valerie Plame.

Após o anúncio do indiciamento de Libby, Wilson disse que sua mulher havia recebido ameaças após ter sua identidade revelada.

Investigação

Uma investigação de dois anos tentou descobrir como o jornalista Robert Novak conseguiu revelar a identidade de Valerie Plame em seu artigo.

A investigação foi feita, com a liderança do promotor Patrick Fitzgerald, pelo Tribunal do Júri, formado por 25 pessoas, e que vai determinar se o suposto crime de vazamento deve ser levado à Justiça comum.

A Casa Branca, inicialmente, negou que Rove ou Libby estivessem envolvidos no vazamento de informações.

Mas a administração Bush foi forçada a ficar na defensiva desde que os dois foram implicados no incidente.