27 de outubro, 2005 - 05h16 GMT (02h16 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que Israel deveria ser "eliminado do mapa", durante uma conferência em Teerã.
A agência estatal de notícias do Irã, Irna, relatou que os comentários foram feitos durante a reunião chamada "O Mundo sem Sionismo", em que cerca de 3 mil estudantes participavam.
Ahmadinejad afirmou que o estabelecimento do estado de Israel foi "uma medida tomada pelo opressor internacional (o ocidente) contra o mundo islâmico".
"Como o Imã disse, Israel deve ser eliminado do mapa", disse o presidente iraniano se referindo às palavras do líder da revolução islâmica no Irã, o aiatolá Khomeini.
Segundo correspondentes esta foi a primeira vez em anos em que uma autoridade ocupando um posto de maior poder no Irã pede a erradicação de Israel, apesar de tais afirmações serem usadas em manifestações pró-regime.
Ahmadinejad afirmou que líderes de nações muçulmanas que reconhecem o estado de Israel vão "enfrentar a fúria de seu próprio povo".
"Qualquer um que assina um acordo que reconhece a entidade (do governo) de Israel, significa que assinou a rendição do mundo muçulmano", acrescentou.
Ahmadinejad chegou ao poder no início de 2005, substituindo Mohammad Khatami, um reformista que tentou melhorar as relações do Irã com o ocidente.
Condenação
A Grã-Bretanha, França, Espanha e Canadá estão entre os países que condenaram as declarações do presidente iraniano.
Os Estados Unidos afirmam que o comentário aumenta as preocupações a respeito do programa nuclear do Irã. O governo americano suspeita que este programa está sendo usado para desenvolver armas.
O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Grã-Bretanha, França, Alemanha e Estados Unidos estão pressionando o Irã para dar mais acesso de analistas e fiscais ocidentais às suas instalações nucleares.
"Se estes comentários são verdadeiros, eles são inaceitáveis e condeno-os com firmeza", disse o ministro do Exterior francês, Philippe Douste-Blazy.
Uma autoridade do Ministério do Exterior britânico afirmou que tais comentários eram "perturbadores e repugnantes".
O porta-voz da Casa Branca, Scot McClellan, disse que a opinião de Ahmadinejad "apenas confirma o que temos dito a respeito do regime no Irã. E destaca nossas preocupações a respeito de seu programa nuclear".
O ministro do Exterior de Israel, Silvan Shalom, afirmou que seu país considera o Irã como um "perigo real e imediato".
Shalom disse que está claro que o Irã está tentando desenvolver um programa para fabricar armas nucleares.