26 de outubro, 2005 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, afirmou que o custo total do terremoto que atingiu o país deve superar os US$ 5 bilhões (cerca de R$ 11,3 bilhões).
Falando ao jornal britânico Financial Times na véspera de uma conferência de nações doadoras em Genebra, Musharraf afirma que as estimativas são de que o terremoto deixou 3 milhões de pessoas sem casa, das quais 500 mil ainda não receberam nenhum tipo de ajuda.
O presidente paquistanês disse que alguns separatistas da Caxemira estão ajudando nas operações de ajuda.
Mas Musharraf também alertou para o perigo destes grupos atraírem as vítimas para a militância e o extremismo.
Oxfam
A organização não-governamental Oxfam acusou vários países ricos de pouco empenho em tornar realidade o apoio prometido ao apelo das Nações Unidas em favor das vítimas do terremoto que devastou o Paquistão no início deste mês.
Segundo a organização, baseada na Grã-Bretanha, os países desenvolvidos se comprometeram a liberar menos que um terço dos 312 milhões de dólares pedidos pela ONU.
Estados Unidos, Japão, Alemanha e Itália têm doado muito menos que a fatia que cada um desses países ocupa na economia mundial, diz a Oxfam, que é uma das principais agências internacionais de ajuda humanitária.
Outros países, como Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, Grécia, França e Portugal, não doaram nada, segundo a ONG.
Nesta quarta-feira, uma conferência de doadores em Genebra, na Suíça, com a participação do secretário-geral da ONU Kofi Annan, tentará convencer os países desenvolvidos a aumentar os fundos dirigidos a vítimas do terremoto.
Sob risco
O tremor, ocorrido no dia 8 de outubro, matou mais de 53 mil pessoas, de acordo com o governo paquistanês, a maioria na porção da Caxemira administrada pelo país.
Cerca de 800 mil sobreviventes estão sob risco de vida, diz a ONU, por causa da falta de recursos e dificuldades práticas, tais como estradas que se tornaram intransitáveis.
A ONU estima que até 20% das pessoas afetadas pelo terremoto não receberam ainda qualquer ajuda.
Com as temperaturas em queda e a neve se acumulando nas próximas semanas, as agências de ajuda humanitária dizem que a necessidade de abrigo e material médico está crescendo desesperadamente.