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26 de outubro, 2005 - 04h38 GMT (01h38 Brasília)

Oxfam acusa ricos de não ajudar vítimas de tremor

A organização não-governamental Oxfam acusou vários países ricos de pouco empenho em tornar realidade o apoio prometido ao apelo das Nações Unidas em favor das vítimas do terremoto que devastou o Paquistão no início deste mês.

Segundo a organização, baseada na Grã-Bretanha, os países desenvolvidos se comprometeram a liberar menos que um terço dos 312 milhões de dólares pedidos pela ONU.

Estados Unidos, Japão, Alemanha e Itália têm doado muito menos que a fatia que cada um desses países ocupa na economia mundial, diz a Oxfam, que é uma das principais agências internacionais de ajuda humanitária.

Outros países, como Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, Grécia, França e Portugal, não doaram nada, segundo a ONG.

Nesta quarta-feira, uma conferência de doadores em Genebra, na Suíça, com a participação do secretário-geral da ONU Kofi Annan, tentará convencer os países desenvolvidos a aumentar os fundos dirigidos à vítimas do terremoto.

Sob risco

O tremor, ocorrido no dia 8 de outubro, matou mais de 53 mil pessoas, de acordo com o governo paquistanês, a maioria na porção da Caxemira administrada pelo país.

Cerca de 800 mil sobreviventes estão sob risco de vida, diz a ONU, por causa da falta de recursos e dificuldades práticas, tais como estradas que se tornaram intransitáveis.

A ONU estima que até 20% das pessoas afetadas pelo terremoto não receberam ainda qualquer ajuda.

Com as temperaturas em queda e a neve se acumulando nas próximas semanas, as agências de ajuda humanitária dizem que a necessidade de abrigo e material médico está crescendo desesperadamente.

As contribuições foram definidas de acordo com o tamanho relativo da economia de cada país como proporção da economia da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Entretanto, apenas quatro países –Dinamarca, Holanda, Luxemburgo e Suécia- doaram um valor proporcionalmente superior à sua fatia na OCDE.

EUA, Itália, Alemanha e Japão doaram menos que um quinto de sua participação relativa na organização.

Em 2004, houve um déficit de US$ 1,3 bilhão nos programas de emergência porque muitos governos de países ricos não responderam a contento aos apelos da ONU.