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21 de outubro, 2005 - 01h40 GMT (22h40 Brasília)

Inquérito da ONU sobre morte de Hariri aponta para Síria

Uma investigação da ONU sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri apontou para o envolvimento de autoridades libanesas e sírias no crime.

Hariri foi morto em 14 de fevereiro deste ano num ataque com um carro-bomba no centro de Beirute, a capital do Líbano.

O relatório com os resultados do inquérito foi entregue nesta quinta-feira ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que repassou o documento ao Conselho de Segurança e ao governo libanês.

O inquérito, liderado pelo promotor alemão Detlev Mehlis, concluiu que "muitas pistas apontam diretamente para o envolvimento de autoridades de segurança sírias com o assassinato".

Segundo a investigação, o assassinato foi uma operação complexa planejada por meses que e há razões para acreditar que a decisão de matar o ex-premiê "não poderia ter sido tomada sem a aprovação de altas autoridades de segurança da Síria e não poderia ter sido organizada sem o conluio de comparsas nos serviços de segurança libanesas".

O documento determina ainda que cabe agora à Síria "esclarecer uma parte considerável das questões não resolvidas".

Os governos sírio e libanês não haviam se manifestado sobre o relatório até esta quinta-feira. Na semana passada, no entanto, o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que o seu país era "100 por cento inocente".

Muitos libaneses culparam a Síria pelo assassinato imediatamente após o ataque. O crime gerou uma série de protestos contra o país vizinho e precipitou a saída de tropas e agentes sírios que ficaram em território libanês por mais de 20 anos.

O Líbano deslocou tropas para Beirute e outras cidades para o caso de haver uma reação violenta à investigação.

O embaixador da ONU nos Estados Unidos, John Bolton, disse que vários países estão discutindo o que fazer em relação às conclusões do relatório.

"Nós vamos estudar (o documento) muito cuidadosamente, e com base no que acharmos, decidir qual poderá ser o próximo curso de ação."

Desde a morte de Hariri, houve uma série de ataques a bomba contra políticos e jornalistas anti-Síria assim como em áreas cristãs.

O filho de Rafik Hariri, Saad, disse querer que os implicados no relatório sejam julgados em um tribunal internacional.