16 de outubro, 2005 - 06h03 GMT (03h03 Brasília)
Um helicóptero militar do Paquistão, usado nas operações de assistência às vítimas do terremoto da semana passada, caiu por causa do mau tempo, matando os seis soldados a bordo.
O Exército paquistanês diz ter perdido contato com o helicóptero na noite de sábado, perto da cidade de Bagh, na Caxemira administrada pelo Paquistão.
Os vôos de outros aparelhos foram suspensos por causa das fortes chuvas e do nevoeiro, atrapalhando os trabalhos de assistência aos desabrigados.
Na noite do sábado, o líder político da Caxemira controlada pelo Paquistão, Sardar Sikandar Hayat Khan, pediu a abertura da fronteira com a área administrada pela Índia para ajudar nas operações de ajuda aos sobreviventes do terremoto.
Em entrevista à BBC, Khan disse que o governo paquistanês precisa superar todas as reservas a respeito da abertura da fronteira.
A líder do partido do governo na área da Caxemira administrada pela Índia, Mehbooba Mufti, disse que vai tentar persuadir o governo indiano a fazer o mesmo.
A região da Caxemira é disputada pela Índia e Paquistão e os dois países já entraram em conflito duas vezes pela área.
Recusa
Sardar Khan disse à BBC que os paquistaneses não conseguem alcançar muitas áreas próximas à chamada linha de controle, que divide a Caxemira. E também existem áreas que não são acessíveis à Índia.
"Então, se as fronteiras forem abertas seria bom para os cidadãos dos dois lados. Isso também vai se somar no relacionamento entre os dois países", disse.
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, elogiou a oferta de ajuda do governo da Índia para áreas ao longo da linha de controle, mas recusou a oferta afirmando que "há sensibilidades envolvidas".
A líder indiana Mehbooba Mufti afirmou que centenas de vidas poderiam ter sido salvas depois do terremoto se Musharraf tivesse aceitado a oferta de ajuda do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
"Mas não podemos culpar ninguém na atual situação. Se o Paquistão tivesse feito uma oferta semelhante, não posso afirmar com confiança que teríamos aceitado", disse.
Ela sugeriu que a Índia poderia adotar alguns vilarejos do lado paquistanês da Caxemira e o Paquistão poderia fazer o mesmo para ajudar na reconstrução.
Mortos
Na manhã de sábado, o governo do Paquistão anunciou que subiu para 38 mil o número de mortos por causa do terremoto.
Trata-se de uma diferença de mais de 13 mil mortes em relação à estimativa anterior, o que o governo atribuiu à quantidade de corpos que continuam a ser encontrados entre os escombros.
O número oficial de feridos também aumentou, ultrapassando os 60 mil. Acredita-se que pelo menos 1,4 mil pessoas morreram na região da Caxemira administrada pela Índia.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que o risco de morte para as crianças é alto, por causa da combinação de frio, fome e doenças.
Outra organização de assistência humanitária, a Save the Children, afirmou que já há relatos de crianças que sucumbiram à falta de abrigo.
O mau tempo também é preocupante para os demais desabrigados. A organização britânica Oxfam disse que cidades das áreas mais remotas ainda estão à espera de milhares de barracas e cobertores, mas as estradas estão intransitáveis.