15 de outubro, 2005 - 08h02 GMT (05h02 Brasília)
O governo do Paquistão anunciou acreditar que subiu para 38 mil o número de mortos por causa do terremoto que atingiu o país exatamente uma semana atrás.
Trata-se de uma diferença de mais de 13 mil mortes em relação à última estimativa, o que o governo atribui à quantidade de corpos que continuam a ser encontrados entre os escombros.
O número oficial de feridos também aumentou, ultrapassando os 60 mil.
Nas regiões mais atingidas, ventos fortes e temporais estão atrapalhando os trabalhos de resgate e assistência às vítimas. Helicópteros que usados nas operações de ajuda retomaram os vôos depois de passarem a manhã impedidos de transitar.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que o risco de morte para as crianças é alto, por causa da combinação de frio, fome e doenças.
Outra organização de assistência humanitária, a Save the Children, afirmou que já há relatos de crianças que sucumbiram à falta de abrigo.
O mau tempo também é preocupante para os demais desabrigados. A organização britânica Oxfam disse que cidades das áreas mais remotas ainda estão à espera de milhares de barracas e cobertores, mas as estradas estão intransitáveis.
Sobrevivente
Na sexta-feira, um bebê de 18 meses foi retirado com vida dos escombros no vilarejo de Balimang, na província da Fronteira Noroeste.
A equipe que resgatou a menina tinha caminhado 11 quilômetos até a cidade, que está isolada.
Moradores indicaram um local em que ainda poderia haver sobreviventes.
O grupo de assistência encontrou ali quatro corpos, além do bebê.
Perto do local também foram achados os corpos da mãe e de dois irmãos da menina. O pai, Mohammed Azfal, sobreviveu à tragédia.
Críticas
Ainda na sexta-feira, o clérigo muçulmano Abdul Ghaffourullah, um importante líder religioso da Caxemira administrada pelo Paquistão, criticou o governo paquistanês de lentidão na resposta ao terremoto.
"As equipes técnicas nos disseram que agora as chances de sobrevivência são menores que 2%", disse ele, segundo a agência de notícias France Presse.
Ele também condenou os saques aos caminhões de mantimentos que estão chegando à região.
"Se continuarmos com essas atitudes, nenhum país do mundo vai vir nos ajudar", disse.
Acredita-se que pelo menos 1,4 mil pessoas morreram na região da Caxemira administrada pela Índia.
Nos dois lados da fronteira, fiéis se reuniram neste sábado para rezar pelas vítimas da catástrofe.
O chefe da agência de assistência humanitária da ONU, Jan Egeland, disse que serão necessários "bilhões de dólares" para suprir as necessidades da região.
Até agora, apenas US$ 50 milhões foram oferecidos pela comunidade internacional.