15 de outubro, 2005 - 23h23 GMT (20h23 Brasília)
O ex-presidente do Equador, Lucio Gutierrez, voltou ao país de seu exílio na Colômbia e foi preso.
Gutierrez, que se recusa a reconhecer a legitimidade de seu sucessor Alfredo Palacio e afirma que quer voltar ao poder, enfrenta acusações de colocar em risco a segurança nacional.
Ele teria sido levado para a capital, Quito, de helicóptero.
Gutierrez foi retirado da presidência pelo Congresso do Equador, em abril de 2005, depois de uma série de protestos nas ruas do país.
Ele fugiu do país, indo para o Brasil e depois para o Peru, antes de pedir asilo político na Colômbia. Antes de voltar para o Equador, Gutierrez renunciou ao asilo concedido pelo governo colombiano.
Em julho, um juiz no Equador ordenou a prisão de Gutierrez sob a acusação de que ex-presidente é uma ameaça à segurança nacional.
'Golpe'
Depois de sua prisão, o ex-presidente teria permanecido calmo e respeitou as ordens da polícia.
"Esta é outra demonstração de que estão violando meus direitos", disse.
O retorno de Gutierrez pode complicar ainda mais uma situação polícia já delicada, segundo observadores.
Recentemente, o presidente Alfredo Palacio foi forçado a ceder à greve na região produtora de petróleo do país e está lutando para colocar em prática as reformas políticas prometidas.
Segundo o correspondente da BBC em Equador, Simon Watts, Palacio depende da vontade de políticos locais que controlam a vida pública no país e a volta de Gutierrez coincide com a sensação de crise no novo governo.
Antes de deixar a Colômbia, em um vôo fretado, Gutierrez disse que vai "usar todos os meios legais e constitucionais para retomar o poder".
"O presidente constitucional, eleito por três milhões de pessoas, é Lucio Gutierrez, mesmo estando no exílio, na cadeia ou em qualquer lugar onde eu possa ser encontrado", disse Gutierrez a jornalistas ainda na Colômbia.
"Planejo mostrar que ocorreu um golpe e que o presidente (Alfredo Palacio) está usurpando o poder", acrescentou.