15 de outubro, 2005 - 09h24 GMT (06h24 Brasília)
O Ministério da Agricultura da Romênia anunciou que o vírus da gripe aviária que infectou animais no país é do tipo H5N1, o mesmo que já matou mais de sessenta pessoas na Ásia.
As autoridades romenas disseram que vão fazer uma reunião de emergência ainda neste sábado para decidir como tentar conter a doença na região do delta do rio Danúbio, onde foram encontradas as aves contaminadas.
O mesmo tipo de vírus também foi confirmado em animais da Turquia.
A chegada da doença à Europa fez com que autoridades da União Européia convocassem uma reunião de emergência na sexta-feira, onde adotaram um conjunto de medidas para impedir a possível entrada do vírus nos países do bloco.
'Sem risco'
As iniciativas incluem a vacinação de 75% da população mais exposta à gripe comum e a prevenção do contato entre aves domésticas e selvagens.
Em um comunicado divulgado após o encontro em Bruxelas, na sexta-feira, as autoridades européias dizem que as medidas são voltadas para "fortalecer a biossegurança em fazendas e introduzir sistemas de detecção precoce em áreas de alto risco".
As autoridades da UE disseram, no entanto, que a doença não representa um risco à saúde pública.
Segundo a agência de notícias Associated Press, os especialistas dizem que não há motivos para que a população deixe de comer frango porque o vírus morre quando a carne é cozida.
Ainda assim, muitos consumidores europeus estão com receios por causa do mal da vaca louca – doença também contraída de animais, que afetou seres humanos nos anos 90.
Migração
Tanto na Turquia como na Romênia, as aves infectadas estavam perto de lugares freqüentados por pássaros migratórios.
A União Européia proibiu a importação de carne aviária, penas e pássaros vivos dos dois países, que sacrificaram mais aves na sexta-feira.
Segundo a agência Associated Press, funcionários da vigilância sanitária da Turquia estavam tentando capturar os últimos pássaros na cidade de Kiziksa, onde o vírus foi descoberto, e tentando convencer moradores que estavam escondendo suas aves a entregá-las.
Os especialistas também concordaram quanto à necessidade de fazendeiros informarem as autoridades sobre possíveis sintomas da doença como uma queda na produção de ovos e aumento na taxa de mortalidade dos animais.
Ministros do Exterior do bloco europeu voltarão a discutir o assunto na próxima terça-feira, em Luxemburgo, onde estarão reunidos para negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O vírus H5N1 matou mais de 60 pessoas no Sudeste da Ásia desde 2003. Apenas em um dos casos existe a suspeita de que a doença foi transmitida por outra pessoa. Nos demais, as vítimas pegaram a gripe após entrar em contato com animais contaminados.
Apesar disso, há temores de que a saída da doença do continente asiático possa provocar uma epidemia, caso o vírus sofra uma mutação e consiga ser transmitido de um ser humano para outro.