11 de outubro, 2005 - 11h36 GMT (08h36 Brasília)
Após duas décadas marcadas por guerras, os eleitores da Libéria estão indo às urnas nesta terça-feira para escolher seu novo presidente – em uma eleição considerada histórica.
Um total de 22 candidatos concorrem ao cargo, incluindo o ex-jogador de futebol George Weah, que brilhou no Milan da Itália e foi escolhido o melhor do mundo pela Fifa em 1995.
Observadores esperam que o nível de comparecimento às zonas eleitorais seja elevado, visto que o país viveu um clima quase de “carnaval” na medida em que o pleito se aproximava, segundo o correspondente da BBC na Libéria Mark Doyle.
O resultado da eleição vai ser acompanhado com atenção pela comunidade internacional, uma vez que a Libéria, durante vários anos, esteve no centro de conflitos que engolfaram boa parte da África ocidental.
Contraste
Doyle diz que é gritante o contraste entre a “feliz e livre” Libéria de hoje em dia e o país mergulhado no caos de alguns anos atrás.
A principal razão para isso, segundo ele, é a segurança proporcionada pelas forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) estacionadas no país.
Elas chegaram à Libéria em 2003, quando foi assinado um acordo de paz entre as várias partes envolvidas na última guerra a afligir a população.
Na época, após pressão dos Estados Unidos, o então presidente Charles Taylor renunciou e se refugiou na Nigéria, abrindo caminho para o acordo.
Doyle diz que a esperança é que agora as eleições ajudem o país a iniciar uma nova página em sua história.
O astro e a economista
O candidato mais famoso que concorre à Presidência é George Weah, cujo carisma tem atraído eleitores que desejam sangue novo na política do país.
Mas ele tem um forte rival na pessoa de Ellen Johnson-Sirleaf, uma ex-funcionária do sistema ONU e ex-banqueira internacional que voltou do exílio para concorrer à Presidência.
Ela conseguiu angariar considerável apoio na capital, Monróvia, e em áreas rurais do país.
Os outros 20 candidatos reúnem alguns dos mais experientes políticos liberianos.
Analistas dizem que, para a Libéria realmente se tornar um país normal e pacífico, as eleições vão ter que ser transparentes, e os candidatos derrotados terão que aceitar o resultado.