07 de outubro, 2005 - 23h59 GMT (20h59 Brasília)
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pediu nesta sexta-feira o início das conversações sobre o futuro status de Kosovo, a província sérvia habitada por uma maioria étnica de albaneses e deseja a independência.
O território está sob administração da ONU desde 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interveio com bombardeios para forçar soldados e policiais sérvios a uma retirada.
A recomendação de Annan se segue a um relatório da ONU sobre progressos obtidos em Kosovo tais como a criação de instituições democráticas e a proteção das minorias.
Annan disse que é hora de Kosovo avançar para a próxima etapa do processo político.
A tarefa de mediar as conversações deverá ser passada para o ex-presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari.
Há muitos anos Kosovo tem sido motivo de tensão entre sérvios e albaneses étnicos.
Milosevic
A escalada das tensões coincidiu com a chegada de Slobodan Milosevic ao poder, nos anos 80. Milosevic passou a exaltar sentimentos de nacionalismo sérvio, rompendo com a relativa calma que havia predominado no governo do líder iugoslavo Tito.
Milosevic foi aumentando gradativamente o controle sérvio sobre a província, reprimindo a maioria étnica albanesa.
Em 1998, um grupo guerrilheiro, Exército de Libertação de Kosovo, pegou em armas.
Com o aumento da violência, as forças de segurança sérvias entraram em confronto com civis albaneses.
Foi nesse momento que a Otan interveio e bombardeou posições e cidades sérvias.
As forças sérvias acabaram se retirando e Kosovo passou a ser administrada pela ONU.
Apenas cerca de 80 mil sérvios continuam em Kosovo, onde vivem também 1,5 milhão de albaneses étnicos.