05 de outubro, 2005 - 03h54 GMT (00h54 Brasília)
O governo bósnio-sérvio elaborou uma lista com os nomes de 19.473 soldados sérvios que operavam na região de Srebrenica na época do massacre da minoria muçulmana da cidade, em 1995.
A lista, que vinha sendo compilada desde 2003, inclui 892 pessoas que ainda estariam trabalhando no governo, na polícia ou no Exército bósnio-sérvio.
A relação, que não foi divulgada, será encaminhada à promotoria pública para revisão.
Cerca de 8 mil meninos e homens muçulmanos quando forças bósnias-sérvias tomaram Srebrenica durante a guerra na Bósnia, ocorrida após a dissolução da Iugoslávia comunista.
A lista faz parte de um processo instigado pela comunidade internacional para forçar o governo bósnio-sérvio a reconhecer os crimes de guerra cometidos em Srebrenica.
Segundo o correspondente da BBC Matt Prodger, nem todo soldado mencionado na lista está diretamente envolvido no massacre. A lista tampouco precisa a parcela de responsabilidade que caberia a cada um deles.
No entanto, a relação inclui pessoas inicialmente identificadas como os mandantes dos assassinatos ou os próprios executores dos crimes.
As autoridades prometeram investigar o papel dos 892 que ainda estariam ocupando posições oficiais na república autônoma da Bósnia.
Líderes foragidos
A lista também tem como objetivo dar aos investigadores bósnios mais informações sobre como os crimes foram executados.
O líder bósnio-sérvio da época, Radovan Karadzic, e seu comandante militar, Ratko Mladic, foram indiciados por genocídio por causa de Srebrenica.
Mas os dois continuam foragidos da Justiça, provavelmente escondidos na Sérvia ou em Montenegro.
O massacre no leste da Bósnia é considerado a pior atrocidade na Europa desde a 2ª Guerra Mundial.