04 de outubro, 2005 - 23h38 GMT (20h38 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu a sua escolha para a vaga da Suprema Corte, dizendo que a advogada Harriet Miers era "a melhor pessoa" que pôde encontrar.
Bush disse que Miers era uma mulher de princípios cuja filosofia jurídica não mudaria em 20 anos e negou sugestões de que estaria favorecendo seus amigos na administração pública.
"Escolhi a melhor pessoa que pude encontrar. Todos sabem que somos próximos”, disse o presidente americano, aparentemente se referindo ao fato de Miers ser assessora jurídica da Casa Branca.
Bush fez as declarações em sua primeira entrevista coletiva desde maio e após uma série de eventos, como o furacão Katrina, que afetaram seus índices de popularidade.
A Suprema Corte é um dos mais influentes organismos na vida pública dos Estados Unidos.
Se aprovada pelo Senado, Miers, de 60 anos, ocupará o lugar de Sandra Day O'Connor, que anunciou sua aposentadoria em julho.
Aborto
Bush disse que nunca perguntou a Miers sua opinião pessoal sobre a questão do direito ao aborto, tema dos mais sensíveis na sociedade americana.
Setores liberais temem que a escolha de novos membros para a Suprema Corte possam provocar um retrocesso em relação a este e outros temas polêmicos.
Alguns políticos da direita e da esquerda também questionam a experiência de Miers, que nunca foi juíza.
Bush, no entanto, disse que “é importante introduzir alguém de fora".
"Harriet trará dignidade à Suprema Corte.”
Bush também falou sobre o furacão Katrina e o Iraque – as duas questões que, segundo analistas, estariam por trás da sua queda de popularidade, apontada nas pesquisas de opinião.
Ele disse que os EUA continuarão a perseguir uma estratégia conjunta no Iraque, apoiando a busca pela aprovação da Constituição e a manutenção da segurança.
Sobre o furacão Katrina, o presidente americano disse novamente que admitia a ocorrência de falhas nas operações de resgate das vítimas.
“Tomarei toda a responsabilidade por falhas no nível federal”, disse Bush.