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30 de setembro, 2005 - 08h21 GMT (05h21 Brasília)

Repórter que não revelou fonte sai da prisão nos EUA

A jornalista Judith Miller, uma repórter do The New York Times que foi presa por se recusar a revelar suas fontes, foi libertada da cadeia nesta quinta-feira, após ter concordado em depor em um tribunal.

Uma fonte da jornalista, um assessor do vice-presidente americano, Dick Cheney, lhe deu autorização para discutir perante a Justiça os contatos que tiveram.

O caso se refere à revelação da identidade de uma agente secreta da CIA (a Agência de Inteligência Americana), Valerie Plame, em 2003. A revelação do nome de um agente do serviço secreto é um crime federal nos Estados Unidos.

O marido de Plame, Joseph Wilson, era um ex-diplomata que havia criticado o presidente George W. Bush por causa da sua política com relação ao Iraque.

Wilson acusa a Casa Branca de ter vazado o nome da agente à imprensa como retaliação.

Direito constitucional

O promotor que estava investigando o caso do vazamento, Patrick Fitzgerald, pediu a prisão de Miller e de outro repórter, Matthew Cooper, da revista Time.

Nenhum dos dois foi quem recebeu a informação de que Plame era uma agente da CIA, mas Fitzgerald quis interrogá-los porque eles fizeram investigações sobre o caso.

A princípio, os jornalistas não quiseram testemunhar, alegando que a Constituição americana garante o direito de proteger as fontes jornalísticas, mas o argumento não foi aceito pelo tribunal.

Em julho, Cooper mudou de idéia e concordou em depor à Justiça, mas Miller, não. Ela acabou ficando 86 dias na prisão.

Agora o The New York Times divulgou que uma fonte de Miller a autorizou para discutir o caso.

A oferta teria sido feita “voluntariamente” pela própria fonte, I. Lewis Libby, que é chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, segundo o jornal.

Miller e Libby se encontraram e conversaram pelo telefone em julho de 2003.