29 de setembro, 2005 - 07h59 GMT (04h59 Brasília)
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, deu sinal verde para a continuação de um polêmico projeto de construção de uma barragem submersa para proteger Veneza das inundações.
O projeto, chamado Moisés e orçado em 4,5 bilhões de euros (R$ 12,1 bilhões), deve ser concluído em 2011.
“Todas as dúvidas foram sanadas. Não há mais volta”, disse Berlusconi.
O projeto vem sendo criticado por ambientalistas, e o governo de Veneza diz que foi ignorado quando se tomou a decisão de começar a obra.
O plano prevê a construção de 78 barreiras móveis no fundo do mar que serão levantadas quando a subida das marés ameaçar a cidade.
Mas ambientalistas dizem que as estruturas, de 28 metros de altura e 20 metros de largura, vão transformar Veneza em uma lagoa e causar mais danos que as enchentes que freqüentemente submergem suas ruas.
Debates
A seção italiana da ONG WWF diz que o fechamento do porto de entrega de cargas e o veto à aproximação de navios de cruzeiro da cidade seriam formas mais eficientes de evitar os problemas causados pelas águas.
O custo do projeto quase dobrou desde que a pedra inaugural foi depositada em maio de 2004 – a estimativa inicial era de 2,3 bilhões de euros.
Manifestantes antiglobalização fizeram neste mês um protesto contra a seqüência da construção das barreiras.
Mas Berlusconi deixou claro na quarta-feira que a obra não vai parar.
A decisão de proteger Veneza das marés mais altas foi tomada em 1966, quando uma inundação deixou 5 mil pessoas desabrigadas.
Várias enchentes depois, em 1973, o governo italiano declarou que Veneza era um caso de preocupação nacional.
Mas foram necessários mais 30 anos de debate até que a obra tivesse início.
Atualmente, Veneza sofre inundações de alguma intensidade por 200 dias a cada ano – no começo do século 20, isso acontecia durante sete dias por ano.