29 de setembro, 2005 - 01h33 GMT (22h33 Brasília)
O Senado argentino destituiu o último juiz da Suprema Corte do país vinculado ao ex-presidente Carlos Menem.
Em uma audiência, os senadores consideraram o juiz Antonio Boggiano culpado da acusação de mau desempenho de suas funções.
Boggiano foi submetido a uma espécie de impeachment por causa de 14 acusações relacionadas a três processos.
Segundo o jornal Clarín, no entanto, a principal acusação se referia a uma decisão de Boggiano de autorizar uma empresa a cobrar do Estado uma velha dívida. A decisão teria custado 400 milhões de pesos ao governo, mas Kirchner a reverteu por decreto.
Boggiano, que diz estar sendo perseguido pelo atual governo, é o quinto juiz a deixar o tribunal desde que o presidente Nestor Kirchner assumiu o poder na Argentina, há dois anos.
As mudanças têm se provado populares para Kirchner, mas críticos dizem que o presidente só está nomeando seus aliados para a Suprema Corte.
De acordo com o Clarín, Boggiano fez fortes acusações ao governo nos últimios dias, chamando os seus ocupantes de "traidores" e dizendo-se vítima de uma campanha "da esquerda dentro do governo" que supostamente não aceita seus vínculos com a Igreja.
Ainda segundo o diário argentino, os senadores também consideraram Boggiano incapaz de ocupar cargos públicos.