23 de setembro, 2005 - 08h35 GMT (05h35 Brasília)
A Coréia do Norte declarou à Organização das Nações Unidas (ONU) que não precisa mais de ajuda alimentícia, apesar de relatos de que a subnutrição ainda é generalizada no país.
"Pedimos o fim da assistência humanitária no final do ano", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Choe Su Hon, após um encontro com o secretário geral da ONU, Kofi Annan, em Nova York.
"Tivemos uma boa safra neste ano. Nosso governo pode providenciar comida
para toda a nossa população."
"Ajuda humanitária não pode durar tanto tempo", disse ele.
Choe acusou a ONU de politizar a ajuda ao ligá-la aos direitos humanos. Segundo ele, a instituição deveria concentrar seus esforços no desenvolvimento a longo prazo.
Sem acesso
Já há algum tempo as agências internacionais vêm enfrentando problemas para monitorar se a ajuda de fato está chegando à mesa da população mais afetada do país.
A China e a Coréia do Sul, no entanto, doam generosas quantidades de comida sem fiscalizar o recebimento.
Especialistas dizem que os índices de subnutrição da Coréia do Norte ainda estão entre os mais altos do mundo.
O Programa Mundial da Alimentação da ONU vem alimentando cerca de seis milhões de pessoas no país, realizando vistorias regulares, supostamente para assegurar que a comida chegue à elas.
Com a decisão norte coreana, teme-se que essas vistorias acabem.
Mesmo no auge da fome que assolou o país em meados dos anos 1990, o acesso a vastas áreas da Coréia do Norte permaneceu vetado às agências.