23 de setembro, 2005 - 10h41 GMT (07h41 Brasília)
A África do Sul anunciou que forçará pela primeira vez um fazendeiro branco a vender sua propriedade para um projeto de reforma agrária.
A decisão da desapropriação foi anunciada na quinta-feira pela Comissão de Restituição dos Direitos à Terra, estabelecida para devolver aos negros as terras perdidas durante o regime do apartheid.
O governo sul-africano diz querer entregar cerca de um terço das terras que pertencem a brancos para pessoas negras até 2014.
Um membro do governo disse que as negociações para conseguir um acordo sobre o preço da venda da fazenda, no noroeste do país, não foram conclusivas.
O fazendeiro, identificado pela comissão como Hannes Visser, disse que vai contestar judicialmente a decisão.
O governo ofereceu US$ 275 mil (cerca de R$ 625 mil) pela compra da propriedade de 500 hectares, mas Visser afirmou que ela vale quase o dobro disso.
O governo argumenta que o pai de Visser comprou a terra de um fazendeiro negro em uma transação forçada em 1968.
Lentidão
Correspondentes locais dizem que ministros sul-africanos recentemente expressaram sua impaciência pela lentidão do processo de reforma agrária.
Cerca de 80% da terra cultivável do país está nas mãos dos brancos, que são apenas 10% da população, graças às leis do apartheid.
Desde que chegou ao poder, em 1994, o atual governo adotou a estratégia de pagar preços de mercado para as terras de brancos que querem vendê-las e então distribuí-las a negros sem-terra.
Mas a vice-presidente Phumzile Mlambo-Ngcuka diz que a reforma deveria ser acelerada – como no vizinho Zimbábue, onde a maioria das terras de brancos já foi expropriada pelo Estado.
“Precisa haver um pouco de impulso. Por isso é que talvez necessitemos das habilidades do Zimbábue para nos ajudar”, disse ela.