20 de setembro, 2005 - 19h56 GMT (16h56 Brasília)
O porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, disse nesta terça-feira que a promotora-chefe do Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia, Carla del Ponte, não respondeu a um pedido de informações feito pela igreja sobre onde ela achava que o general croata Ante Gotovina poderia estar escondido.
Valls fez a revelação depois que Del Ponte acusou o Vaticano de estar protegendo Gotovina, o suspeito de crimes de guerra mais procurado da Croácia.
O Vaticano também confirmou que o arcebispo Giovanni Lajolo, o equivalente ao seu ministro das Relações Exteriores, disse que a Igreja não tem obrigação de colaborar com cortes internacionais.
Del Ponte disse acreditar que o general Gotovina está escondido em dos 80 mosteiros croatas.
A porta-voz da promotora, Florence Hartmann, disse que o Vaticano se recusou a fazer uma advertência a um bispo croata que teria dito que Gotovina era um herói por expulsar forças sérvias da Croácia em 1995.
Por sua vez, um representante da Conferência dos Bispos da Croácia rejeitou a alegação, dizendo que os líderes da igreja não têm idéia de quem é Gotovina.
Herói
Gotovina já foi indicado pelo envolvimento na morte de 150 civis sérvios em 1995 e está foragido há quatro anos.
Homens armados sob o comando de Gotovina também são acusados de ter matado e expulsado até 200 mil sérvios da região de Krajina, que agora pertence à Croácia.
No entanto, muitos na Croácia o consideram um herói nacional.
O governo croata insiste que está fazendo todo o possível para capturar e entregar Gotovina para o tribunal de crimes de guerra com sede em Haia.
Del Ponte disse ter escrito ao papa Bento 16 em julho desse ano para assegurar a cooperação da Igreja, mas a porta-voz da promotora disse que o pontífice ainda não respondeu ao pedido.
Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, Del Ponte disse acreditar que Gotovina "está escondido em um mosteiro franciscano e que a Igreja católica o está protegendo".
No início do ano, a União Européia disse que o fato da Croácia não prender Gotovina estaria atrasando as negociações para o ingresso do país no bloco.