18 de setembro, 2005 - 15h11 GMT (12h11 Brasília)
As últimas palavras do papa João Paulo 2º antes de morrer foram "deixem-me ir para a casa do Senhor", afirmam documentos divulgados pelo Vaticano neste domingo.
Ele teria dito isso em polonês a assessores que estavam ao lado de seu leito poucas horas antes de morrer, em abril.
A frase foi incluída num novo relato de 220 páginas que narrar os últimos dois meses da vida do pontífice.
Trata-se da primeira vez que o Vaticano publica um documento tão detalhado sobre os momentos finais de um papa.
Correspondentes em Roma observam que a iniciativa é sem precedentes, uma vez que a morte do papa costumava ser sempre cercada de segredos.
Livro
O livro deve começar a ser vendido em breve, como suplemento do jornal ofical do Vaticano, Acta Apostolicae Sedis. Trechos dele foram publicados neste domingo pelo jornal da Igreja Católica italiana, Avvenire.
A obra está escrita em ordem cronológica, a partir de 31 de janeiro de 2005, dia em que a Santa Sé anunciou que as audiências papais seriam canceladas em razão de doença.
Um trecho do livro, sobre o dia 24 de fevereiro, afirma que a recuperação de João Paulo 2º vinha sendo prejudicada por "muita dificuldade para engolir", limitações de fala, um "déficit nutricional e acentuada fraqueza".
Os médicos afirmam que alguns desses sintomas foram conseqüência do mal de Parkinson, que já debilitava o papa havia anos.
Segundo o Vaticano, as últimas palavras foram proferidas pelo papa às 15h30 do dia 2 de abril. "Pouco depois das 19h, ele entrou em coma", acrescenta a Igreja Católica.
"Seguindo a tradição polonesa, uma pequena vela iluminava o crepúsculo do quarto em que o papa estava expirando."
O horário da morte anunciado pelo Vaticano foi 21h37.