18 de setembro, 2005 - 17h09 GMT (14h09 Brasília)
Pesquisas de boca-de-urna afirmam que a oposição de direita foi a mais votada nas eleições gerais deste domingo na Alemanha.
Mas a margem de vantagem do Partido Cristão Democrata (CDU), liderado por Angela Merkel, sobre os Social Democratas (SPD, centro-esquerda) é tão pequena nas projeções que ainda não está claro se Merkel conseguirá formar maioria para governar.
As pesquisas dizem que a CDU recebeu cerca de 36% dos votos, superando o SPD, do atual chanceler (primeiro-ministro), Gerhard Schroeder, que teria recebido apoio de cerca de 34% dos eleitores.
As projeções de boca-de-urna, porém, indicam que os principais aliados de Merkel, os liberais democratas do FDP, devem ter 10,5%. Com isso, a coalizão CDU-FDP não teria a maioria no Parlamento e terá de negociar com outros grupos.
Analistas dizem que Merkel poderia ter que formar uma grande coalizão com os Social Democratas se ela e seus aliados não conquistarem a maioria.
Em discurso após o anúncio do resultado das pesquisas, Angela Merkel disse que o eleitorado votou por mudanças e que ela conquistou um mandato para formar um novo governo de coalizão.
Ela admitiu, no entanto, que as projeções não garantem a ela o resultado que esperava para conseguir liderar o país com base na aliança da CDU com o FDP.
O primeiro-ministro Schroeder se negou a admitir derrota. Ele disse que aqueles que queriam tirá-lo do poder fracassaram e mostraram arrogância.
"Sinto que tenho um mandato para assegurar que haja um governo estável no país nos próximos quatro anos sob minha liderança", declarou Schroeder.
O primeiro-ministro afirmou ainda que o SPD vai iniciar na segunda-feira negociações para formar uma coalizão com todas as forças políticas com a exceção de um partido da extrema esquerda que inclui comunistas da antiga Alemanha Oriental.
Schroeder descartou a possibilidade de seu partido se unir à CDU numa grande coalizão se a aliança for comandada por Merkel.
Caso Merkel consiga costurar apoios para governar, ela se tornará a primeira mulher chefe de Estado na história da Alemanha.
Resultados provisórios do pleito, um dos mais disputados da história da Alemanha, serão divulgados nas primeiras horas desta segunda-
feira.
Campanha acirrada
A campanha eleitoral foi encerrada no sábado depois de seis semanas de intenso trabalho de Schroeder e Merkel para conquistar os votos dos indecisos.
As últimas pesquisas de opinião sugeriam que até 25% do eleitorado poderia chegar às urnas sem ter uma idéia formada sobre quem escolher para liderar o país.
Rompendo a tradição, os dois candidatos realizaram comícios na véspera das eleições. Este dia normalmente era visto como uma pausa para reflexão.
A última pesquisa de opinião colocava os partidos de centro-direita, liderados por Angela Merkel, na liderança com cerca de 51% das intenções de voto.
O partido Social Democrata do atual chanceler, Gerhard Schroeder, vinha fazendo progressos no final da campanha.
Reformas
Os partidos de centro-direita têm criticado o governo no combate ao desemprego e prometeram profundas reformas econômicas.
Os Social Democratas dizem que suas reformas finalmente vêm apresentando resultado.
Na sexta-feira, Schroeder disse que os alemães devem decidir pelo candidato "capaz de suportar a pressão externa e se representar os melhores interesses da Alemanha".
Na eleições de 2002, sua resistência à guerra do Iraque lhe rendeu votos.