17 de setembro, 2005 - 16h58 GMT (13h58 Brasília)
Empresários e comerciantes de Nova Orleans começaram a voltar à cidade, que continua deserta e, em grande parte, tomada pelas águas do furacão Katrina.
O prefeito Ray Nagin fez um chamado ao empresariado para que retornasse, para ajudar a reerguer a cidade dos escombros.
Até 200 mil pessoas podem receber autorização para voltar às suas casas e negócios nos próximos dez dias.
A correspondente da BBC em Nova Orleans, Claire Marshall, observa porém que esses moradores encontrarão uma cidade bem diferente daquela que conheciam, com problemas de abastecimento de água e comida e postos de controle militar.
No famoso bairro francês, que escapou do pior das enchentes, alguns donos de bares e restaurantes já começaram a retirar as madeiras e compensados instalados para proteger suas janelas.
"Decidimos que, se formos os primeiros a abrir, isso vai inspirar os outros a fazer o mesmo", disse R Lyon, dono de uma galeria, à agência de notícias France Presse.
Bush
No seu discurso semanal de rádio, o presidente americano, George W. Bush, repetiu neste sábado que acredita que a reconstrução pode ajudar a trazer "igualdade e decência" a todos em Nova Orleans.
Na sexta-feira, numa cerimônia na Catedral Nacional de Washington, Bush voltou a admitir que o seu governo não respondeu adequadamente à tragédia e dizer que o programa de reconstrução era uma oportunidade para resolver os problemas da pobreza e na discriminação racial no sul dos Estados Unidos.
Bush disse ainda que não vai aumentar impostos para financiar a reconstrução da região devastada pelo furacão Katrina.
Ele sugeriu que os recursos – estimados em US$ 200 bilhões – podem ser obtidos por meio de cortes no orçamento em outras áreas.
Mortos
O número de mortos confirmados no furacão já ultrapassa os 800.
Cerca de 40% de Nova Orleans, a cidade mais destruída pelo Katrina, ainda está inundada e o sistema de esgotos ainda não está funcionando direito.
O Congresso americano já aprovou a liberação de US$ 62 bilhões para financiar operações na costa do Golfo do México, mas esse dinheiro deverá ter sido todo gasto até o mês que vem.
Correspondentes da BBC informam que Bush sofre pressão até de membros do seu partido (republicano) para explicar de onde virá o dinheiro em uma época em que os Estados Unidos acumulam grande déficit público.
Pesquisas de opinião publicadas nos últimos dias indicam que a reação avaliada como incompetente ao Katrina aliada ao desgaste resultante da guerra no Iraque têm abalado a popularidade do presidente.