16 de setembro, 2005 - 00h04 GMT (21h04 Brasília)
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse nesta quinta-feira na reunião de cúpula das Nações Unidas que seu país respeita os palestinos e não tem intenção de dominá-los.
"Os palestinos sempre serão os nossos vizinhos. Nós os respeitamos e não aspiramos dominá-los. Eles têm direito à liberdade e a uma existência nacional e soberana em um Estado próprio", afirmou Sharon.
O primeiro-ministro disse, no entanto, que chegou a vez de os palestinos tomarem o próximo passo no processo de paz no Oriente Médio.
Segundo Sharon, Israel provou que está disposto a fazer "dolorosas concessões" ao desmantelar os assentamentos judaicos e retirar as suas tropas da Faixa de Gaza.
O governo israelense, no entanto, continua controlando as fronteiras do território palestino – motivo de reclamação das autoridades palestinas, que alegam que a retirada não estará completa até que os moradores de Gaza possam entrar e sair livremente do território.
No seu discurso na ONU, Sharon disse ainda que a liderança palestina deve cumprir a promessa de acabar com as atividades "terroristas" de grupos militantes.
"Caminho da paz"
Aparentemente emocionado, Sharon afirmou que os dois lados do conflito devem "embarcar no caminho que leva à paz".
Um representante da Autoridade Palestina reagiu ao discurso em Gaza, dizendo que a única solução para o conflito é que Israel se retire completamente dos territórios palestinos – a Cisjordânia continua a ser ocupada por colonos e militares israelenses.
"O caminho para a paz e a estabilidade é o fim da ocupação", afirmou o negociador-chefe palestino Saeb Erekat, segundo a agência de notícias Reuters.
O correspondente da BBC Jonathan Marcus informa de Nova York que Sharon colocou a responsabilidade pelo avanço das negociações sobre a Autoridade Palestina, mas ao mesmo tempo indicou uma possível disposição de ceder mais para acabar com o conflito.
No entanto, a questão de Jerusalém, um dos principais entraves em negociações passadas sobre um Estado palestino, Sharon foi categórico ao apresentar a cidade como a "a eterna e indivisível capital" de Israel.
O premiê fez o discurso pouco depois de a Suprema Corte israelense determinar que o seu governo mude a rota de parte da barreira que está construindo na Cisjordânia.
Em decisão unânime, o tribunal disse que o governo israelense deve encontrar formas alternativas de dar segurança ao país que causem menos dificuldades aos palestinos perto da cidade de Qalqilya.
A Suprema Corte se pronunciou em resposta a uma petição de moradores de cinco vilarejos palestinos.
A decisão tomada por nove juízes também critica o julgamento do Tribunal Internacional de Justiça do ano passado que concluiu que toda barreira é ilegal.
A Suprema Corte israelense disse que o Tribunal Internacional deu muito pouca atenção às preocupações de segurança de Israel, que alega que a barreira é necessária para impedir que militantes suicidas entrem no país.
Os palestinos, porém, dizem que a barreira foi planejada para anexar território palestino a Israel.
Ainda nesta quinta-feira, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a situação na fronteira da Faixa de Gaza e o Egito foi controlada após vários dias de caos.
Milhares de palestinos atravessaram a fronteira depois que Israel retirou seus últimos militares, na segunda-feira.