08 de setembro, 2005 - 16h14 GMT (13h14 Brasília)
Alemanha e Rússia anunciaram um acordo nesta quinta-feira em Berlim para a construção de um gasoduto submarino no mar Báltico.
Com 1,2 mil quilômetros e carregando anualmente 55 bilhões de metros cúbicos de gás, o gasoduto tem como objetivo aumentar as vendas de gás da Rússia na Europa e assegurar suprimentos regulares de energia à Alemanha.
A assinatura do acordo pelas empresas E.On e Basf, da Alemanha, e Gazprom, da Rússia, é resultado de um estreito relacionamento entre chanceler alemão Gerhard Schroeder, e o presidente russo, Vladimir Putin.
Em razão da perspectiva de derrota do SPD (Partido Social-Democrata), de Schroeder, nas eleições do próximo dia 18, os dois líderes estavam ávidos por concluir o acordo.
Segundo Putin, as boas relações entre Alemanha e Rússia, outrora inimigos, são “um importante fator na estabilidade e segurança não apenas da Europa, mas em todo o mundo”.
Polônia insatisfeita
A candidata conservadora ao posto de chanceler, Ângela Merkel, que vem liderando as pesquisas de intenção de voto na Alemanha, tem criticado o relacionamento entre Putin e Schroeder por ignorar os interesses de países menores, como a Polônia.
Com produção prevista para iniciar por volta de 2010, o gasoduto não atravessará os territórios dos países bálticos (Letônia, Lituânia e Estônia) e da Polônia.
Portanto, esses países não contarão com a receita que seria gerada das tarifas cobradas sobre o gás que passasse por seus territórios, como ocorre atualmente no gasoduto que cruza a Polônia.
Mostrando-se insatisfeita com o acordo russo-germânico, a Polônia declarou que, como um Estado-membro da União Européia, seu projeto de gasoduto deveria ter precedência sobre o empreendimento da Rússia.
Pelo acordo assinado nesta quinta-feira, a Gazprom terá uma participação de 51% no investimento de US$ 5 bilhões orçados para a construção do gasoduto.