07 de setembro, 2005 - 17h31 GMT (14h31 Brasília)
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, disse que assume pessoalmente a responsabilidade por falhas do programa "Petróleo por Comida" detalhadas no relatório de uma comissão independente apresentado nesta quarta-feira.
"O relatório me critica pessoalmente e eu aceito a crítica", disse Annan, após a apresentação do documento no Conselho de Segurança da ONU.
"Aceito a conclusão de que não fui competente o bastante para exigir uma investigação quando descobri que a empresa na qual trabalha meu filho venceu a concorrência para inspeção humanitária."
"Eu me arrependo profundamente ", disse ele, que não deve ser acusado pessoalmente de corrupção.
"O mais importante é a forma como as conclusões se referem ao sistema de tomada de decisões, prestação de contas e gestão na organização", afirmou Annan.
"Como principal autoridade administrativa (da ONU), eu tenho que assumir a responsabilidade pelas descobertas feitas tanto em relação à implementação do programa quanto, de forma mais geral, ao funcionamento do Secretariado."
Nova liderança
O líder da comissão que realizou o inquérito, Paul Volcker, disse que a responsabilidade sobre as falhas do programa devem ser "amplamente repartidas" e que a organização necessita uma nova liderança, "mais firme".
Volcker disse ao Conselho de Segurança da ONU que a investigação encontrou exemplos de comportamento "ilícito, antiético e corrupto".
"Recomendamos especificamente a nomeação de uma nova liderança com um mandato claro e autoridade para comandar", disse Volcker.
O ex-chefe do Fed, o banco central americano, disse que falta à ONU mecanismos independentes para fiscalizar a si mesma.
Falta de comando
O inquérito critica a ONU por permitir que Saddam Hussein manipulasse o sistema em benefício próprio.
O programa foi criado na década de 1990, quando o Iraque enfrentava sanções econômicas e permitia que o país vendesse petróleo para comprar comida, diminuindo o impacto das sanções na população.
O inquérito diz que a ONU não estava preparada para gerenciar o programa.
"Não existia um sistema de controle", disse o relatório.
"Aconteceram casos de corrupção entre funcionários do alto escalão, assim como entre os envolvidos no trabalho de campo."
Os detalhes da forma como Saddam Hussein teria explorado o sistema devem ser detalhados em outro relatório, a ser divulgado em outubro.